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Eu prometo!

Por Adm. Sebastião Luiz de Mello

 

Neste ano eleitoral, seria aconselhável parar para pensar sobre qual dos candidatos aos mais variados postos, do mais modesto ao mais alto, merecerá nossos votos.

Por Adm. Sebastião Luiz de Mello
Presidente do Conselho Federal de Administração

 

O país está a poucos meses das eleições gerais. Este é um marco importante. Vamos eleger candidatos a todos os níveis: presidente e vice-presidente da República, senadores, deputados federais, governadores e vice-governadores, deputados estaduais, além do governador, vice-governador e deputados do Distrito Federal.  Será um ano complicado, pois a partir do dia 6 de julho a propaganda eleitoral estará fatalmente associada a outro grande evento – as partidas finais da Copa do Mundo, um dado que confere a estas eleições, queiram ou não, um caráter peculiar. Pois no Brasil futebol e eleições acirram ânimos embora de âmbitos diferentes. A reboque deste clima inédito até então, da combinação de duas paixões nacionais, os ânimos e divergências estarão muito mais à mercê das infalíveis promessas de campanha.

Neste cenário, o velho adágio popular “promessa é dívida” pode adquirir dimensões muito maiores. Tradicionalmente candidatos habituaram-se a utilizar-se dos palanques com gestos e palavras impactantes para anunciar seus feitos e propostas que todos sabemos impossíveis de serem executadas. Ou seja, o que alguns chamam de “estelionato eleitoral” – expressão popular que define a conduta do político de quem promete o que não pode cumprir – tornou-se um hábito aceito pelo eleitor desavisado. O que acaba sendo, no mínimo, uma falta de respeito ao direito ao voto.

Se políticos cumprissem suas promessas de campanha – muitas vezes até mesmo diligentemente registradas em cartório – teríamos hoje um país diferente, com as reformas política e tributária concluídas. Teríamos debelados problemas crônicos em áreas como as de saúde, educação, habitação, mobilidade urbana e segurança. Assim, neste conto de fadas palanquial os níveis de corrupção seriam reduzidos e os desvios de condutas das elites poderiam ser varridos do mapa.

Desconfiemos, portanto, do candidato a cargo político no Executivo ou Legislativo que promete construir centenas de postos policiais comunitários, aperfeiçoar milhares de Unidades de Pronto Atendimento, ampliar o número de creches, pré-escolas e quadras esportivas.  Além disso, teríamos a esta altura, quilômetros de rodovias e ferrovias construídas nas mais perfeitas condições tecnológicas. Estariam já prontinhas e em funcionamento e nós, eleitores, trafegaríamos felizes, seguros e tranquilos com nossas famílias.  

 

Duvidemos também de propostas subjetivas, de difícil aferição, entre elas: “prometo” reduzir a inflação com pleno emprego; acabar com a pobreza conduzindo todos os miseráveis pelos degraus da ascensão social; baixar os juros básicos da economia; reduzir o número de impostos; realizar uma efetiva reforma fiscal; promover um sério trabalho na área da segurança pública. Perguntemo-nos sobre o perfil do candidato de nossa preferência e dos motivos pelos quais quer ser eleito e por que o elegeríamos. Fiquemos atentos a candidato com baixo nível de escrúpulos e tênue compromisso com a democracia. Ou seja, vamos aplicar a “ficha limpa”.

Lamentavelmente continua em estudo o Projeto de Lei nº 4.523/12, que tornaria crime o não cumprimento das propostas de governo registradas durante a campanha eleitoral e também as promessas divulgadas pelo candidato nas mídias. Tudo indica que este PL não será apreciado e transformado em lei.  O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), autor do projeto, afirma que “são muitos os candidatos que registram propostas às vezes impossíveis de serem executadas. O eleitor desavisado acredita e vota no candidato que, depois de eleito, ignora as propostas como se não as tivesse feito. Isso é enganar o eleitor, é fraudar o processo eleitoral”. É o “Eu Prometo” tão nosso conhecido em todos os discursos eleitorais ao longo de décadas.

Assim, caros eleitores, quando elegemos alguém para nos representar na Administração Pública, temos o dever de cobrar o cumprimento das suas propostas, sempre lembrando que uma promessa pode ser equiparada a um juramento. E quando o candidato utiliza a expressão “Eu prometo!” deve estar consciente de que deve cumpri-la. Quanto a nós, que iremos às urnas por um país melhor, haveremos de finalmente encontrar meios efetivos de cobrança: inclusive cassando seu mandato.