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A Administração como profissão.

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por Adm. Eduardo Almeida Teles ” 10/11/2014 17h24

Por Adm. Eduardo Almeida Teles

Na nossa sociedade existem as profissões comuns, que não requerem estudo, diploma ou qualquer comprovação legal para o livre exercício, e as regulamentadas, que são aprovadas por leis federais e acompanhadas pelo Ministério do Trabalho, que quando praticadas por alguém sem registro, representam crime de exercício ilegal, passível de sansões penal e cível.

O objetivo maior da regulação profissional é justamente a proteção da sociedade, que ao longo dos anos foi crescendo em tamanho, se desenvolvendo juridicamente e demandando maiores garantias, constatando a necessidade de controle sobre determinados ofícios que exigiam nível de conhecimento e habilidades de maior complexidade, expondo bens e valores inestimáveis dos seus cidadãos como saúde, patrimônio, moral e liberdade.

Dentre as várias profissões regulamentas está a do Administrador, que pode atuar como gestor, responsável técnico, consultor e docente, tendo como principal objeto de trabalho as organizações, realizando estudos, planejamentos, pareceres ou utilizando os fatores de produção (terra, capital e trabalho) para alcançar os objetivos traçados, com visão sistêmica, elevado nível de racionalidade, domínio de instrumentos técnicos complexos e de várias abordagens das ciências das relações humanas.

O trabalho do administrador é essencialmente cognitivo, um típico trabalhador do conhecimento (Knowledge Worker), denominação empregada por Peter Drucker, que é considerado o pai da Administração moderna, ainda no final dos anos 1950, referindo-se aos profissionais que trabalhariam com informação, e que seriam estratégicos para o desenvolvimento da sociedade, diante das necessidades que as tarefas demandariam.

Um administrador passa entre 4 ou 5 anos na universidade, quase sempre nesse período já trabalhando, participando de diversos cursos, treinamentos e palestras, o que lhe dará depois de alguns anos de experiência um bom volume de conhecimento e de habilidades relacionados ao mundo corporativo dentro das diversas áreas da administração.

Assim como os médicos têm o corpo humano como objeto de estudo e trabalho, realizam consultas e prescrevem tratamentos e medicações para seus pacientes, por analogia, os administradores estudam e tratam das organizações, com medidas terapêuticas e profiláticas. A capacitação é que faz o profissional, tanto pelo estudo científico, prática supervisionada, como das experiências no exercício profissional, que naturalmente resultarão num profissional mais qualificado. Sobre essa questão, que está ligada ao princípio da divisão do trabalho, o filósofo e economista escocês Adam Smith no ano de 1776 fez a seguinte citação em sua obra clássica A Riqueza das Nações.

“A diferença entre os talentos naturais de pessoas distintas é, na realidade, muito menor do que imaginamos; e, quando amadurecida, a própria vocação diferente que aparece para distinguir homens de diversas profissões não é, em muitas ocasiões, tanto causa da divisão do trabalho, mas sobretudo o seu efeito. A diferença entre os mais dessemelhantes personagens, entre um filósofo e um carregador de rua comum, por exemplo, parece surgir não tanto de sua natureza quando do hábito, do costume e da educação.”

Inúmeras ferramentas, termos, conceitos e técnicas, antigas e modernas são estudadas no curso de Administração, com propósito de formar um profissional generalista, e que ao longo de sua formação fará a escolha de uma área para se especializar dentre as várias que compõe o amplo campo profissional, e entre os principais, são apresentados a seguir com alguns temas de conhecimento correspondentes.

Recursos Humanos: Plano de carreira; processo de seleção; gestão do conhecimento; coaching; mentoring; liderança; gerenciamento de competências; avaliação 360; relações trabalhistas; remuneração estratégica; 

Finanças: Balanço patrimonial; DRE; fluxo de caixa; orçamento; ponto de equilíbrio; índices de liquidez, rentabilidade e endividamento; tributos; 

Marketing: Pesquisa de mercadomix de marketing; segmentação de mercado; posicionamento da marca; fatores críticos de sucesso; ciclo de vida do produto; visão, missão e valores; matriz SWOT; 5 Forças; Análise PEST

Produção e Logística: Curva ABC; 5W2H; fluxograma; PDCA; Kanban; matriz GUT; PEPS / UEPS; Just in Time; diagrama de Ishikawa

Infelizmente na maioria das instituições o uso de ferramentas e técnicas científicas de gestão não é nem de longe uma realidade. A ignorância sobre esse montante de conhecimento acaba sendo a maior responsável pela baixa produtividade das empresas, falta de inovação nos produtos, baixa qualidade no atendimento aos clientes, e crescente perda de competitividade da indústria nacional no mercado global.

Gestores devem utilizar conhecimentos técnico-científicos da administração, como a racionalização do trabalho, a melhoria contínua (kaizen), os princípios da burocracia de Weber e os mais modernos recursos da tecnologia, a fim de customizar ferramentas de controle para as empresas, apurando resultados de forma rápida e precisa.

Para atuar como um profissional de administração de vanguarda é preciso reunir teoria e prática, arte e ciência, razão e emoção. É um esforço constante para alcançar o equilíbrio adequado para tomar decisões coerentes, com visão sistêmica e de futuro, além de motivar suas equipes, fazendo-as acreditar em suas ideias e levar a organização a patamares cada vez mais elevados.

O país precisa de mais administradores profissionais, bem formados, conscientes do seu papel e responsabilidades na sociedade, que assumam um compromisso com o aprendizado contínuo, afinal a Administração é uma ciência que precisa de estudo e pesquisa, que se renova constantemente, e é obrigação do profissional gerar essa renovação.

O que faz um bom Administrador não é necessariamente o diploma, ou registro no conselho, mas de qualquer forma é onde se inicia a profissionalização da gestão, já que a Administração é uma formação essencialmente ligada às empresas, devidamente regulamentada e com representação legal através de seus Conselhos Federal e Regionais (CFA/CRAs), que orientam, disciplinam e fiscalizam o exercício da profissão.

Essas autarquias votam e alteram o Código de Ética Profissional (CEPA), assim como o Manual de Responsabilidade Técnica, importantes fontes de apoio e direcionamento para os administradores, entre outras medidas e instrumentos com propósito claro de entregar a sociedade o melhor agente condutor das organizações, trabalhando com ética e competência técnica para o crescimento econômico e desenvolvimento da sociedade.