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A competitividade logística

Por Carlos Augusto Matos de Carvalho

A competitividade é tema imperativo no mundo corporativo e preocupação crescente para as políticas de estado. Com a volatilidade do capital, acrescidas acusações e defesas multilaterais de medidas protecionistas, ventiladas por muitos países, principalmente entre os desenvolvidos e os chamados em desenvolvimento, a competitividade se apresenta com contornos e desafios mais amplos e complexos para as empresas e países sedes da firma. A logística, por seu mister de procurar racionalizar o fluxo (movimento) simultâneo de materiais, informações e pessoas, é componente imprescindível de gradação da competitividade. Nesse contexto, alguns aspectos condicionantes da competitividade como a infra-estrutura, a acessibilidade e o adensamento de cadeias produtivas (se deficientes os processos) representam custos ocultos, esses decorrentes de atrasos ou esperas, de ineficiência dos sistemas, de modais não integrados e maus hábitos de gestão, que são de difícil percepção e mensuração. Outros representam custos visíveis como o transporte, a armazenagem, os serviços a clientes, a administração, o estoque e a infra-estrutura empresarial. Ambos compõem o custo Brasil de logística. Essa dinâmica de custos explica porque, por vezes, é mais barato transportar do território brasileiro para o exterior do que movimentar cargas dentro do nosso país. Estudiosos sugerem o investimento de 2% do PIB anual em logística de transporte no Brasil, pois argumentam que para o desenvolvimento é necessário uma boa base infra-estrutural, além de pessoas, tecnologia inovadora e segurança. Sob o prisma sistêmico, o país mostra disparidades na priorização desses investimentos, que só aumentam os custos dos transportes. A novíssima Lei 12.619, que estabelece o tempo de direção e a jornada de trabalho dos motoristas profissionais (empregados ou autônomos, de cargas e passageiros), com descanso de meia hora a cada quatro horas de pilotagem, dentre outras regras, embora represente avanços extraordinários na relação capital e trabalho, trará, indubitavelmente, aumento dos custos operacionais e a possibilidade de incremento inflacionário. E a modernização da infra-estrutura de transportes (rodovias, ferrovias, portos, hidrovias e aeroportos), que deveria ser garantida pela CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico e pelo Plano de Aceleramento do Crescimento - PAC II, segue a passos lentos. Portanto, hoje é impossível o respeito à Lei plenamente, não por desobediência, mas por falta de condições infra-estruturais adequadas. As empresas também carecem de visão integrada do negócio logístico, por exemplo, na medição de tempos totais de movimentação, gerando gargalos. Assim, países e empresas, em conjunto, devem traçar diretrizes logísticas que propiciem maior assertividade competitiva, portanto estudar e estabelecer políticas para o setor, definir prioridades de investimento, diversificar modais de transporte, analisar custos ocultos e visíveis para a diminuição de gastos com combustíveis (e emissão de carbono), reduzir lead times, set ups e ciclos de repetição de processos, além de melhorar esses processos produtivos através de benchmarking industrial e buscar ganhos de produtividade com a automação, qualificação de pessoal e novos modelos de gestão.