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A crise financeira internacional e os reflexos na economia brasileira

A globalização econômica obriga o Brasil a manter o sinal de alerta frente a qualquer efeito financeiro no mundo desenvolvido

Por Gustavo de Carvalho Luiz

Mais do que nunca, as economias mundiais estão interligadas, num cenário que permite a aproximação de mercados, onde a globalização econômica, oriunda da natureza internacional do comércio, permite a relação cada vez mais intensa entre os países.

Isso proporciona que uma crise econômica desencadeada a partir de um país desenvolvido tenha condições de espalhar temor e trazer desequilíbrios as demais nações.

Os Estados Unidos são a mais importante economia do planeta, sendo o país central da dinâmica monetária e financeira do globo. O PIB (Produto Interno Bruto) americano corresponde ao triplo do PIB da China, que é a segunda maior economia mundial. Os países periféricos que compõem a zona do euro formam um tradicional bloco econômico. Então, estando esses mercados em crise, os efeitos econômicos no Brasil ganham proporções muito maiores. Sempre que ocorrer qualquer sinal de recessão nessas economias, naturalmente, algum impacto acontecerá no cenário econômico brasileiro. 

Dessa forma, não há como visualizarmos a conjuntura internacional e pensar que estamos completamente blindados dos efeitos colaterais de uma crise financeira no mundo desenvolvido.

A atmosfera de incertezas que paira sobre as maiores economias tem totais condições de contaminar os países emergentes, principalmente pela natureza do comércio internacional.

O impacto mais direto de uma crise externa é a diminuição do nosso crescimento através da redução das exportações. Uma recessão mundial resulta em menos mercado externo, além de provocar a baixa do dólar, o que facilita as importações. O Brasil exporta muita matéria-prima para países que estão afetados pela crise. Esses países, estando em situação econômica desfavorável, vão reduzir o seu consumo, o que automaticamente vai causar a diminuição das exportações. Com as exportações prejudicadas, somos forçados a produzir menos, o que afeta diretamente o crescimento.

Por outro lado, o próprio efeito recessivo que advém da crise internacional pode fazer com que a pressão inflacionária no Brasil seja menor. Isso porque a recessão reduz a atividade econômica dos países afetados, o que provoca a diminuição da produção e do consumo nessas economias, obrigando esses parceiros comerciais brasileiros a importar menos os nossos produtos. Naturalmente, isso provoca uma redução da atividade econômica também no Brasil, que ficará com produtos, antes exportados, parados na prateleira. Quando isso acontece, as empresas e indústrias sao forçadas a reduzir a produção, e, por conta disso, ocorre a queda no preço dos produtos, o que reduz a inflação. É nesse sentido que uma recessão internacional pode vir a reduzir a pressão inflacionária também no Brasil, com a baixa do preço das commodities, por exemplo.

A natureza do comércio internacional tem totais condições de transportar os maus fluídos da crise aos países emergentes, pois a globalização econômica proporciona que os mercados financeiros estejam cada vez mais integrados. Hoje os recursos eletrônicos permitem que rápidos movimentos sejam difundidos para o cômputo global com enorme rapidez. Dessa forma, estando as economias interligadas, todo e qualquer efeito financeiro nos mercados internacionais trará reflexos à economia brasileira.

A globalização econômica obriga o Brasil a manter o sinal de alerta frente a qualquer efeito externo, pois o país não estará plenamente imune aos impactos de uma crise internacional, mesmo apresentando certa solidez econômica e aumentando a classe consumidora. Não adianta o governo pensar que, por ser o Brasil um país emergente, estará sempre protegidos dos reflexos das turbulências. Nesse sentido, cabe à equipe econômica do governo tomar as medidas necessárias para manter a economia dentro de patamares que  garantam os menores impactos frente aos acontecimentos econômicos externos.