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A Remuneração como ferramenta de gestão.

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por Eduardo Almeida Teles 28/04/2014 17h26
A política de remuneração é mais do que somente transferir recursos financeiros aos colaboradores, ela expressa o paradigma da organização sobre a gestão do seu capital humano, a sua estratégia competitiva e visão de futuro.

Por Adm. Eduardo Almeida Teles

Ao longo da história o assunto remuneração desencadeou grandes embates envolvendo patrões e funcionários, movimentando diversas manifestações coletivas, inclusive com algumas terminando em tragédia. O economista e filósofo alemão Karl Max incluía o tema como parte importante do fenômeno por ele chamado como luta de classes.

Antes da globalização e da revolução tecnológica, em geral a política de remuneração das empresas era bastante simples, com ganhos fixos e faixas niveladas, afinal as funções e os colaboradores quase não mudavam. Vivemos uma situação quase que diametralmente oposta, onde há grande dinâmica nas funções, e o volume de conhecimento e habilidades que um profissional precisa conhecer ao longo de sua carreira vai crescendo de forma perene, e em alguns casos abrupta.

Cada vez mais as empresas estão conseguindo substituir o trabalho manual por máquinas e softwares, cabendo ao ser humano o trabalho essencialmente intelectual, com perfil empreendedor, realizando análises, produzindo novas ideias e tomando decisões rápidas sobre as contingências.

Consultores, palestrantes e especialistas em gestão tem engrossado o discurso sobre a importância da motivação e do engajamento dos colaboradores para o desenvolvimento de suas carreiras. Já se estabeleceu inclusive a máxima que não são mais as organizações que gerenciam as carreiras dos seus colaboradores, mas sim a estes últimos cabe a tarefa.

Como hoje em dia a produtividade depende muito do esforço intelectual, a forma mais eficaz de alcançá-la está intimamente ligada a fatores emocionais. Não à toa a motivação é tema de destaque já há muitos anos, com várias esferas a se observar quando se pretende fomentá-la no grupo, e dentre uma delas, o fator remuneração pode exercer grande impacto.

Existem várias formas de administrar a remuneração e recompensa, tanto financeiras como não financeiras. Fazem parte do primeiro grupo a remuneração básica, que é o salário nominal, os incentivos variáveis, e por fim estão os benefícios, dentre eles os obrigatórios como férias e 13º salário, e os facultativos como planos de saúde, ticket alimentação, bolsas de estudo e vale cultura. No segundo grupo estão: viagens, festas de confraternização, brindes e destaque para funcionário do mês.

Estipular metas de desempenho alcançáveis e desafiantes, condicionando o seu alcance a ganhos representativos tem forte efeito motivador para a grande maioria das pessoas, podendo ser utilizado para diversos fins, como redução de custo, aumento de vendas, índice de satisfação do cliente quanto ao atendimento e redução do lead time nas tarefas.

A remuneração deve ser vista como uma importante ferramenta de gestão de pessoas, e com isso colocada como objeto de estudo e planejamento, elaborada de forma customizada às necessidades de cada empresa, alinhada ao planejamento estratégico global, sob supervisão de profissionais bem qualificados.

É importante também salientar que apesar do grande impacto que o dinheiro tem na vida das pessoas, um bom plano de remuneração não é uma panaceia. É preciso observar outros fatores, como: clima organizacional, condições de trabalho, nível de autonomia dos profissionais, e estilo de liderança adotado.

Numa empresa com modelo de gestão tradicional, com ganhos atrelados unicamente ao número de horas trabalhadas, o salário será uma commodity, e o clima organizacional estará contaminado com apatia. Já numa empresa moderna, com planos de cargos e salários abrangentes e estratégicos, que valorizam a meritocracia, a inovação e a iniciativa, os rendimentos acompanharão o desempenho e resultarão em maior senso de justiça e compromisso por parte dos colaboradores.

A política de remuneração é mais do que somente transferir recursos financeiros aos colaboradores, ela expressa o paradigma da organização sobre a gestão do seu capital humano, a sua estratégia competitiva e visão de futuro.

Revista RBA

 Pesquisa Perfil 2015

Eduardo Almeida TelesEduardo Almeida Teles Administrador, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, em Recursos Humanos pela Uninter e Pós-graduado em Finanças pela Facemp. Gestor empresarial com experiência profissional de 18 anos atuando no mercado de varejo de veículos, auto-peças e pneus.
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