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Eficiência Pública. Por que a Gestão de Pessoas é fundamental para a eficiência dos Governos

A importância da Gestão de Pessoas nos Governos Eficazes

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por Murilo Lemos 12/09/2013 14h24
Por que a Gestão de Pessoas é fundamental para a eficiência dos Governos

Por Murilo Lemos

Muito se fala sobre a necessidade de reforma e aumento da eficiência da Administração Pública. Os órgãos públicos são constantes vítimas de modismos e gurus mirabolantes, com fórmulas mágicas e soluções prontas importadas dos manuais de “best practices” da administração empresarial. Estas panaceias de prateleira podem até funcionar no curto prazo, mas não resolvem efetivamente o problema no médio e longo prazos - sendo que os sintomas da ineficiência logo voltam a se manifestar.

Parte-se do falso pressuposto de que o ambiente organizacional público é igual ao privado, respondendo da mesma forma a uma dada solução. Existem enormes diferenças no Brasil entre as organizações públicas e privadas na sua essência: clima e cultura organizacionais e marco legal.

No que diz respeito à Gestão de Pessoas, por exemplo – notoriamente destacada por vários mestres da Administração como um dos principais sistemas a ser aprimorado na busca por aumento da eficiência organizacional - fatores como estabilidade no emprego e concurso público como mecanismo para recrutamento e seleção da grande maioria das vagas já são justificativas mais que suficientes para a necessidade de analisar-se as organizações públicas sob lentes diferentes das que usamos para tentar compreender, diagnosticar e gerir as empresas privadas.

A estabilidade no emprego busca proteger o servidor público de perseguições partidário-ideológicas. Por outro lado, tende a levar à acomodação dos funcionários. Junte-se a isso o processo seletivo por concurso público, que tenta blindar os cargos públicos contra o fisiologismo e clientelismo na sua ocupação. Por imposição do princípio constitucional da impessoalidade, os concursos acabam priorizando critérios mais objetivos de seleção, valorizando mais o conhecimento teórico dos candidatos que suas habilidades práticas - gerando discrepâncias entre o perfil do candidato e a vaga pleiteada e, consequentemente, contribuindo para a desmotivação.

As poucas vagas nos governos sem estabilidade e concursos (os cargos de confiança ou de livre provimento) muitas vezes são ocupadas utilizando-se critérios de amizade, parentesco, alinhamento político e/ou troca fisiológica de favores entre grupos de poder. Essas posições são justamente os cargos de comando no topo das organizações: funções de direção e assessoramento estratégico sendo ocupadas sem critérios técnicos.

Resultados: desalinhamento estratégico, impossibilidade de implementação de planos estratégicos de longo prazo (pois, como explicado, no universo público as chefias são altamente rotativas conforme a mudança de mandato político e os níveis tático e operacional são estáveis), conflitos frequentes entre chefes e subordinados.

Para alterar-se este quadro, grande parte das ferramentas que a Administração de Empresas oferece não são adequadas. Observa-se nas últimas décadas aumento significativo no país do número de cursos de bacharelado em Administração Pública e afins, que buscam – à luz da ciência da Administração – inovar em metodologias e modelos de análise e ação, trazendo soluções funda