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Em defesa do Brasil

Por Adm. Sebastião Luiz de Mello

O movimento que está sendo anunciado para o próximo dia 13 de março, é mais que legítimo. Afinal, a crise que estamos vivenciando está afetando cada cidadão brasileiro, causando impactos dramáticos sobre as poupanças, os investimentos e as aposentadorias, além de outras implicações como: o lazer sendo alterado drasticamente, a escola dos filhos está sendo revista, as compras do dia a dia estão seriamente afetadas – aliás, já estamos notando algumas prateleiras vazias nos supermercados – um indício preocupante que pode levar ao desabastecimento. Este panorama sombrio faz lembrar as condições do país, antes do Plano Real: inflação descontrolada; perda do poder de compra do salário ao longo do mês; congelamento de preços; impossibilidade de planejamento para os consumidores e empresários.

Nós, somos sim, a favor dos protestos e da mobilização dos brasileiros – não necessariamente a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff – mas, com certeza, contra a corrupção que assola o país de ponta a ponta; o alto índice de desemprego – em 2015 foi registrada a demissão de 1,54 milhão de trabalhadores, de acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência – a consequência mais perversa da atual crise brasileira. 2016 já começou mal, com fechamento de quase 100 mil vagas com carteira assinada, só no primeiro mês: o pior resultado há sete anos. Isso acontece em meio a um panorama de forte queda do nível de produção e com a economia em recessão.

As más notícias não param por aí. Em 2015, o mercado financeiro enfrentou uma queda de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), após retração estimada em 3,8% no ano anterior, a maior em um quarto de século. Soma-se a isso a alta da inflação, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) somando 10,71% em um ano até janeiro, o maior patamar desde novembro de 2003 e, como consequência, a redução da renda dos trabalhadores, forçando as famílias a continuarem endividadas, com o aumento da inadimplência.

Voltamos a dizer que apoiamos o movimento de 13 de março, mesmo porque a recessão está batendo à nossa porta e a desvalorização do real está fazendo com que muitas empresas brasileiras virem pechinchas no mercado global (Revista Exame, de 17/2/2016): mesmo assim está difícil achar comprador. Os exemplos são muitos, a começar pela Petrobras – antes do escândalo da operação “lava-jato”, um gigante do mercado mundial de petróleo, hoje um negócio desacreditado, com um valor de mercado de 286 bilhões de dólares há sete anos, atualmente valendo menos de 20 bilhões de dólares. Outros exemplos, são a Via Varejo de eletrodomésticos do país, com valor atual menor do que o dinheiro que tem em caixa; as três maiores siderúrgicas brasileiras (CSN, Usiminas e Gerdau), que juntas valiam 56 bilhões de dólares há cinco anos, hoje valem pouco mais de três bilhões de dólares. A mídia brasileira chegou a seguinte conclusão: “O Brasil está saindo de graça, aos olhos do investidor estrangeiro”.

Volto a repetir que somos sim, a favor de movimentos pacíficos e reivindicatórios, principalmente quando estamos lutando para que os governos – em todos os níveis – contratem para os cargos chave de gestão pública, profissionais de Administração bem preparados, com iniciativa, liderança, comunicação, trabalho em equipe, otimismo, responsabilidade, ético, equilibrado, entre outros atributos. E, esta decisão, não é tão complicada de tomar: Os mais de dois mil cursos de Bacharelado em Administração oferecem, por ano, cerca de 680 mil vagas e formam mais de 117 mil bacharéis. Além disso, os mais de 4,3 mil cursos superiores de Tecnologia em Determinada Área de Administração colocam a disposição do mercado estudantil mais de 1,3 milhão de vagas e formam 158 mil tecnólogos.

Os governos federal, estadual e municipal, podem escolher em um universo de quase 400 mil profissionais de Administração registrados nos Conselhos Regionais (CRAs), gestores competentes e legalmente capacitados para exercer cargos de comando, de assessoramento ou simplesmente de técnico. Com isso, temos certeza, esses governantes teriam condições de planejar suas ações e obter bons resultados na gestão pública.