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Novela da vida real

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por imprensa 22/01/2015 17h10

Por Adm. Sebastião Luiz de Mello

Virou um hábito entre os brasileiros sentar-se a frente da televisão para assistir novelas. Dados do ranking do Ibope mostram que o gênero é o mais visto entre homens, mulheres e até mesmo crianças. Ainda há quem torça o nariz para este tipo de programação, mas atire a primeira pedra quem nunca, mesmo por curiosidade, acompanhou ansiosamente as tramas, intrigas e conflitos dos folhetins televisivos. 

É preciso destacar, antes de tudo, que novela é um tipo de narrativa literária portuguesa. Ela se difere do romance e do conto apenas pela quantidade de páginas, mas na televisão ganhou produções cinematográficas, ajudando a consagrar um estilo que passaria a fazer parte da programação das principais emissoras de televisão. 

A novela é um estilo que divide opiniões. Tem um público cativo, mas também tem os críticos que apregoam teses como “a novela estimula a violência e o erotismo em demasia” e “é mau exemplo para jovens e crianças”. Mas olhemos para o lado bom: de uns anos para cá, os autores e diretores começaram a usar os espaços entre um drama e outro para fazer marketing social. Não raro, vemos os personagens inseridos em contextos com preocupações sociais dos mais diversos. 

Mas, afinal, o que novela tem a ver com Administração? A princípio, não tem nenhuma relação. Mas o atual folhetim das nove horas da TV Globo – Império – tem retratado, em algumas cenas, o dia a dia de uma personagem que é estudante de Administração. Cristina (Leandra Leal) é filha do protagonista da novela, José Alfredo de Medeiros (Alexandre Nero). A paternidade só é reconhecida quando ela já é adulta. Por diversas razões, ele a convida para trabalhar na empresa da família e, após a sua falsa morte, ela assume a direção do empreendimento com o propósito de recuperar o negócio do pai. 

Nada mais justo, já que entre os filhos do personagem principal ela é a única com tal capacidade, uma vez que é estudante de Administração. Em algumas cenas, inclusive, ela destaca essa formação e, com pulso firme, tem adotado estratégias que somente um profissional capacitado para tal saberia. 

Talvez não fosse intenção do autor e diretor da novela, mas esse “marketing social” em prol da Administração que a novela apregoa tem ajudado a divulgar e disseminar a importância da Administração profissional em todo o país. Sabemos que os personagens desse enredo ainda passarão por muitos desafios e aguardamos pelo grand finale dessa história. 

Observamos como Cristina tem colocado em prática as clássicas funções administrativas – planejar, organizar ordenar, dirigir e controlar – para dar conta da crise que assolou o empreendimento do pai. Não vamos nos surpreender, portanto, se a “Império” – empresa em questão – se reerguer e voltar mais forte e competitiva. 

Na vida real, é isso que acontece. Do contrário, testemunhamos o fechamento de inúmeras empresas que, por falta de uma gestão profissional, morrem prematuramente como revelam as pesquisas do Sebrae. 

Administradores são imprescindíveis para o bom andamento da empresa. É ele quem está acostumado às mudanças e, em momentos de crises, sabe superar as dificuldades sem deixar o negócio acabar, habilidades e competências tão bem representadas pela personagem da novela. Nesse caso, qualquer semelhança com a realidade NÃO é mera coincidência.

 

Adm. Sebastião Luiz de Mello

Presidente do Conselho Federal de Administração