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O dia em que o Brasil amargou a ausência da boa administração

Por Adm. Sebastião Luiz de Mello

 

Adm. Sebastião Luiz de Mello
Presidente do Conselho Federal de Administração (CFA)

 

Desastrosa, humilhante e vergonhosa, é assim que o povo tem se referido a pior derrota da seleção brasileira em copas. O 7x1, empurrado goela abaixo pelo unificado, planejado e implacável time da Alemanha, marcou a nação que viu o sonho do hexa ir embora atabalhoadamente. Como pode o país mais vitorioso da história das copas, falir seu futebol? Por que esse “apagão” no gramado?

Como toda história traz consigo um ensinamento, essa vexatória derrota, também, pode nos ensinar algumas lições dentro e fora dos gramados. Basta olhar além das quatro linhas para perceber que é uma situação de deficiência administrativa com raiz no planejamento. A lição mais básica de gerenciamento, o ciclo PDCA (sigla em inglês para Planejar, Executar, Verificar e Agir), foi esquecida, ou negligenciada, por Luiz Felipe Scolari e pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Nós sabemos que o resultado de um planejamento pífio tem a grande chance de ser o insucesso. Essa é a etapa mais importante de qualquer projeto, afinal todo o resto depende da organização inicial. O Brasil foi escolhido para sediar a copa de 2014, há sete anos, mas a seleção só conseguiu fechar o seu time um ano antes do mundial. Até mesmo o técnico da equipe não tinha nem dois anos a frente da seleção quando começou a competição. Como poderiam formar uma base sólida? A Alemanha já se preparava há oito anos, construindo uma equipe uniforme, com qualidade de jogo objetivo e familiar para os seus atletas.

Quando Felipão assumiu a seleção brasileira partiu para a execução de um planejamento apressado. No momento de verificar o andamento da sua “organização”, fechou os olhos para defeitos preocupantes e não deu ouvidos às críticas - um líder precisa estar aberto a críticas. O tempo passou e a equipe do Brasil acreditou estar pronta, principalmente depois da conquista da Copa das Confederações no ano passado. Mas não estava. O seu desempenho era, no mínimo, preocupante. A tarefa de definir uma partida ficava a cargo de poucos jogadores, que poderiam vir a faltar, e alguns faltaram.

O torneio começou, o Brasil passou para as oitavas, depois às quartas, até que chegou a semifinal. Neymar, o jogador decisivo, foi lesionado no jogo anterior e estava fora da copa. Thiago Silva, capitão da equipe, também não poderia jogar graças ao cumprimento da suspensão por cartões amarelos. A seleção alemã era o adversário. Com um esquema tático agressivo (quatro atacantes) Felipão decidiu começar a partida. Aos 11 minutos de jogo a Alemanha faz o primeiro gol, a equipe se desestabiliza e, então, “o apagão”. Quatro gols em seis minutos. Antes do segundo tempo a copa havia acabado para o Brasil e para os brasileiros.

O despreparo, principalmente psicológico, dos jogadores os impediu de ter uma reação. O líder não soube redirecionar seu time e sua negligência, poderia até dizer irresponsabilidade, deixou todos atordoados, sem direção. O mundo ficou atônito ao ver o “país do futebol” agonizar.

Qual o aprendizado? Administrar, o que quer que seja, exige seriedade, competência e comprometimento. O gestor precisa planejar passo-a-passo as ações a serem tomadas e verificar sempre se essas ações são eficazes. O líder, além de motivar, precisa por a equipe com os pés no chão, entrosada e interdependente. A responsabilidade por resultados tem que ser dividida por cada membro do grupo. Coragem e um pouco de sangue frio também são importantes, principalmente nos momentos de crise.

Não existe vitória fácil, elas são fruto de muito trabalho e dedicação. Que essa lição fique gravada em nossas memórias para buscarmos sempre uma gestão de qualidade e sucesso. E que o Brasil também aprenda, afinal, daqui a quatro anos teremos mais um chance de nos redimir do dia em que o Brasil amargou a ausência da boa administração.