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O incentivo ao consumo como instrumento de redução dos efeitos da crise econômica

O estímulo ao mercado interno deve ocorrer de maneira responsável para evitar o endividamento desnecessário

Por Gustavo de Carvalho Luiz

A classe consumidora brasileira cresceu consideravelmente nos últimos anos. Milhões de pessoas que antes não consumiam, por estarem abaixo da linha da pobreza, migraram para patamares superiores da economia, o que lhes dá condições de garantir a subsistência por seus próprios meios.

É inegável que, com o aumento do mercado consumidor, há um favorecimento do cenário econômico, com mais pessoas consumindo, mantendo a economia aquecida frente aos efeitos negativos do mercado no mundo desenvolvido.

Nesse sentido que o governo vem dizendo, através do Banco Central, que o brasileiro deve continuar consumindo, justamente porque o mercado interno é muito grande. Então, se for mantido o ritmo do consumo, haverá mais fôlego para a economia se movimentar, podendo com isso serem reduzidos os impactos por conta da crise econômica internacional. O governo costuma estimular essa prática através de ações como a redução da taxa de juros para incentivar o crédito e estimular o brasileiro a consumir.

Com a manutenção do ritmo de consumo, as empresas e as indústrias não serão obrigadas a reduzir a produção, evitando assim o enxugamento da força de trabalho.

Uma das vantagens do aumento da classe consumidora reside no fato de que, com cada vez mais pessoas consumindo, têm-se uma expectativa de que boa parte do que for produzido no Brasil tenha como garantia de consumo o próprio mercado interno.

É lógico que uma estagnação mundial afetará a economia doméstica de alguma maneira, com menos mercado externo para as exportações, além de provocar a baixa do dólar, o que facilita as importações. Mas com o grande mercado consumidor e a relativa solidez que tem apresentado, é possível que a economia brasileira esteja de alguma forma protegida desses problemas, principalmente em relação aos países que são protagonistas da atual crise.

Então, diante da crise internacional, o incentivo ao consumo e o estímulo ao mercado interno são alternativas para driblar a turbulência, porém esse consumo deve ser responsável para evitar o endividamento desnecessário, pois isso certamente trará prejuízos futuros. Temos alguns exemplos de países da faixa do euro, como: Portugal, Espanha, Irlanda, Itália e Grécia, cujas populações foram extremamente especuladoras ao ponto de se endividarem com a intenção de gerar riqueza, e por conta disso têm um futuro economicamente sombrio pela frente.

Foi justamente o consumo desenfreado que levou a Europa a uma crise com alto nível de endividamento; pois, na década anterior, diversos países periféricos ingressaram na zona do Euro, o que para muitos era uma zona monetária nova, e se depararam com custos de capital muito mais baixos do que estavam acostumados, o que impulsionou esses países a irem às compras. Sabemos que custos de capital menores ensejam um processo de endividamento. Agora essas populações estão pagando o preço da especulação.

Voltando à abordagem nacional, embora o Brasil ainda esteja enfrentando alguns problemas de ordem econômica, como a inflação e taxa de juros elevada, a economia tem demonstrado sinais de solidez e de crescimento. Então uma boa alternativa de proteção frente aos reflexos de uma crise externa é o estímulo ao mercado interno através de um consumo responsável e sustentável, com cada vez mais pessoas chegando a patamares mais elevados da economia, o que pode nos permitir transpor esse momento de turbulências sem grandes danos.