Você está aqui: Página Inicial / Ações do CFA / Artigos de Adm / Artigo dos usuários / O Poder e a Política na Administração Contemporânea

CFA

O Poder e a Política na Administração Contemporânea

Comments
por Cleber Suckow Nogueira - 24800132860 ” 27/11/2014 14h43
Poder; política; administração

Por Cleber Suckow Nogueira

A Administração é a arte de conseguir realizar as coisas. Por essa razão, dá-se ênfase especial aos métodos e processos que visam assegurar uma ação positiva, ao mesmo tempo de promover uma ação concatenada por parte de um grupo de indivíduos.

A complexidade que as organizações vêm experimentando em toda a sua história tem exigido novas habilidades e competências. Neste cenário, os administradores têm papel fundamental e o desafio a eles imposto é o de serem agentes transformadores e adaptáveis a essa realidade.

A articulação política é uma habilidade que o Administrador desenvolve após algum tempo de dedicação e empenho em funções diretivas que auxiliam na tomada de decisão.

Souza e Shibata, (2011) afirmam que as organizações podem ser descritas como entidades políticas nas quais os processos decisórios operam os “espaços” em que os indivíduos competem para satisfazer seus interesses pessoais. Segundo os autores, embora alguns desses indivíduos possam ter alguns objetivos comuns como o sucesso da empresa, a percepção básica é de que os objetivos ou pontos de vista individuais estão acima dos organizacionais. Isso acontecendo, a consequência é o surgimento de conflitos.

As organizações, em geral, buscam profissionais que saibam conciliar o interesse pessoal com os da organização. É aí que entra o papel do administrador, que com ética, responsabilidade e competência, busca decisões estratégicas trabalhadas no campo das crenças/valores organizacionais ou na forma de apostas em termos de resultados, que, no limite, são definidos pelas preferências pessoais de quem tem o poder de decisão.

A decisão política pode ser afetada pelo controle de como e quais informações são disponibilizadas. Embora a primeira impressão possa ser negativa, em determinados ambientes organizacionais de contexto coletivo, pode ser que a abordagem política seja a melhor maneira para se chegar a uma decisão satisfatória.

Mintzberg (1985) classifica dois níveis possíveis de políticas e conflitos. No primeiro nível estão as políticas e conflitos presentes, mas não dominantes; no segundo, a política é o sistema dominante, com forte conflito, que fragiliza os outros sistemas de influência ou se origina da fragilidade desses.

A política tem a função de equilibrar as forças dos sistemas da organização, podendo aumentar ou enfraquecer determinado sistema.

A articulação de políticas tem custos importantes. Dentre eles, destacam-se o temor da perda de poder (controle de meios imateriais, jurisdição, competência e orçamento) pelas agencias; perda de influência nos níveis superiores por conta da horizontalidade dos novos processos; oposição a hierarquização histórica; necessidade de mudanças institucionais com possível aumento da desconfiança e decorrentes acirramentos burocráticos; estabelecimento de relações com organizações com baixo nível de controle (como, por exemplo, ONGs) e, por último, gastos não previstos no orçamento.

A democracia, globalização e as inovações tecnológicas provocaram mudanças drásticas nas organizações privadas e públicas, impondo-lhes uma tomada de decisão crucial: ou adaptam e evoluem para os padrões mundiais de produção de bens e serviços, ou se isolam em seus mercados/nações correndo o risco de se autodestruírem (PALUDO, 2013 p. 45).

Mas, certamente, os benefícios da articulação política são, também, muito significativos. Entre eles, destacam-se o aproveitamento das capacidades mais adequadas de cada instituição participante; o desvio de duplicações de esforços com, pelo menos, a moderação de seus efeitos indesejáveis; a redução dos riscos de se deixar alguma área desatendida; a minimização de esforços contraditórios e, sobretudo, a maximização de resultados e a redução de custos.

Além desses benefícios gerais, a articulação política reforça o valor de cada colaborador. Pode-se melhorar a supervisão e reduzir a corrupção; reforçar o sentido de pertença dos membros de cada uma das organizações a entidades maiores; capacitar recursos humanos no curso da experiência; oferecer oportunidade de comparação e “abrir” as mentes dos funcionários.

Para administrar organizações com eficiência é necessário ter competência para saber lidar com pessoas (gerenciar conflitos), ter criatividade nas tomadas de decisão (saber negociar e lidar com imprevistos) e, principalmente, ter responsabilidade para cumprir com as obrigações das organizações e pessoais.

 REFERÊNCIAS

 MINTZBERG, H. The organization as political arena. Journal of Management Studies, [S.I.], v. 22, p. 133-153, 1985.

PALUDO, A. Administração pública. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

SOUZA, W. H.; SHIBATA, I. H. Decisões políticas. In: YU, A. S. O; (Coord.). Tomada de decisão nas organizações: uma visão multidisciplinar. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 131-164.