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Onde o Brasil é mais afetado pela crise financeira internacional?

Redução do Produto Interno Bruto, aumento da inflação, baixo crescimento da indústria, entrada de capital estrangeiro e menos vagas de emprego são alguns dos principais efeitos que a economia brasileira pode sentir a partir da crise internacional

Por Gustavo de Carvalho Luiz

O Brasil tem apresentado certa solidez econômica e um mercado consumidor forte, crescente e dinâmico; porém, por estar inserido no contexto econômico globalizado, dentro de um cenário que permite a aproximação de mercados, está sujeito às contaminações externas decorrentes da estagnação nos mercados mundiais.

Os efeitos da crise financeira internacional têm potencial para atingir os países emergentes com enorme rapidez, considerando a natureza das relações de mercado entre as nações. Dessa forma, os efeitos colaterais dessas turbulências podem perfeitamente ser transportados a todo cômputo global, com variações de intensidade entre as economias, sejam elas deficitárias, emergentes ou avançadas. O Brasil, naturalmente, também sente os impactos das crises econômicas no mundo desenvolvido.

Seguem abaixo algumas das principais variantes que afetam o cenário nacional diante da atmosfera de incertezas que paira sobre as maiores economias:

Redução do Produto Interno Bruto (PIB):

O PIB brasileiro cresceu modestos 0,79% no mês de agosto/2014, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (ibre/FGV).

A explicação para esse baixo crescimento pode ser encontrada no início da década, quando, em 2010, houve muito estímulo ao mercado através de políticas macroeconômicas, com a intenção de blindar a economia dos reflexos da crise externa de 2009. O Brasil estimulou demais a economia, que cresceu fortemente em 2010, com PIB na ordem de 7,5%. Tal estímulo resultou numa equação que elevou demais a pressão inflacionária, pois, com a economia aquecida e mais dinheiro em circulação, veio a inflação como consequência no início de 2011. Isso obrigou o Banco Central a aumentar os juros e limitar o crédito, com a intenção de conter o ímpeto dos consumidores e controlar a economia.

Essa contenção atingiu potência máxima no segundo semestre de 2011, justamente quando houve o agravamento da crise europeia. Tais medidas ainda geram efeitos nos índices econômicos atuais.

Então, a queda no PIB é resultante da atitude do governo em "puxar o freio" econômico para controlar os índices inflacionários. O resultado é um crescimento muito abaixo até das expectativas mais pessimistas do governo.

Inflação:

A inflação não acompanha apenas o crescimento econômico, mas também surge em períodos de estagnação; pois, durante uma crise, geralmente ocorre o aumento dos gastos públicos, com a liberação de compulsórios bancários e as medidas de incentivo ao consumo. Isso resulta em aquecimento do mercado e consequente inflação.

Quando existe estagnação, aumentam os gastos do governo, e muitas vezes o Estado passa a gastar mais do que a capacidade, ocasionando o aumento nos preços. Então, mesmo quando uma economia se encontra estagnada, o aumento da moeda em circulação, injetada através da elevação dos gastos públicos, pressionará os preços para cima. Esse é o cuidado que deve existir nas políticas de incentivo ao consumo das famílias, pois, quanto maiores forem as medidas de estímulo, maior será também a demanda, bem como a expectativa de inflação na economia.

O Relatório do Mercado Focus prevê para o final de 2014 uma inflação de 6,32%.

Baixo Crescimento da Indústria:

A crise internacional prejudica largamente a indústria, pois a desvalorização do dólar tira a competitividade dos produtos nacionais e torna as importações mais atrativas, o que desestimula a atividade interna.

Além disso, a ênfase de exportações de produtos básicos também afeta a indústria nacional, gerando um efeito de desindustrialização, prejudicando os estados que possuem os maiores parques industriais, que aos poucos perdem espaço no contexto de mercado para as transações comerciais que envolvem as commodities, que possuem baixa oscilação de preços e têm demanda mundial constante.

Outro fator que afeta negativamente a indústria é a entrada de capital estrangeiro, que pressiona a valorização do real, encarece e tira a competitividade das exportações e impulsiona as importações.

Entrada de Capital Estrangeiro:

O Brasil tem grande preocupação com relação à expansão monetária, que é fruto da injeção de liquidez que os países europeus vem realizando na Faixa do Euro. No momento em que Banco Central Europeu injeta grandes somas nas economias avançadas, ocorre o que é chamado de "tsunami monetário", termo metaforizado pela Presidente Dilma Rousseff. Com essa injeção de recursos nas instituições do continente, os países emergentes são prejudicados, pois as suas indústrias passam a perder competitividade, pois essa entrada de recursos externos encarece a moeda local.

Com cada vez mais dinheiro sendo injetado nas economias desenvolvidas, a prática da especulação financeira cresce no Brasil; pois, com a taxa de juros praticada no país, será aqui que os especuladores internacionais vão despejar essa liquidez adicional. Com o Brasil sendo um dos principais destinos do capital especulativo, ocorre o fortalecimento do real, pois a entrada maciça de dólares pressiona o câmbio, gerando a valorização da moeda doméstica e a redução das exportações, interferindo negativamente nos índices de crescimento.

Mercado de Trabalho:

A crise internacional também gera efeitos no emprego, pois geralmente se abate sobre o mercado de trabalho e ajuda a enfraquecer a geração de novas vagas com carteira, que, naturalmente, tende a perder fôlego por conta de desaceleração da atividade interna.