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Presentes sim, direitos sem dúvida!

Mais do que presenteadas e parabenizadas no seu dia, mulheres precisam daquilo que há séculos reivindicam: DIREITOS

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por imprensa 08/03/2016 17h12

Por Adm. Sebastião Luiz de Mello

Flores, presentes, parabéns e demais congratulações são o que as mulheres recebem no dia do ano escolhido como seu. Indiscutivelmente, elas merecem. Entretanto, o significado da data supera trivial comemoração. Para além de lembranças e abraços, o 8 de março reivindica direitos. Quando campanhas publicitárias de cosméticos bombardeiam as mídias em alusão ao distinto momento, provavelmente desconhecem o berço da luta no qual nasceu o Dia Internacional da Mulher.

Este ano o Brasil comemora uma década da Lei Maria da Penha, um grande passo na proteção à mulher brasileira e disso, provavelmente, você já tem ciência. O que a maioria não sabe é que, ainda no século XIX, mulheres bradavam em prol de liberdade e igualdade, aliadas aos movimentos socialistas, comunistas e anarquistas, quase sempre de cunho operário, nos Estados Unidos e na Europa.

Então, em 1910, a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas aprovou a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher. No dia 8 de março de 1917, 90 mil operárias russas foram às ruas manifestar-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação do país na guerra. O protesto, conhecido como “Pão e Paz”, fez parte dos acontecimentos da Revolução Russa e a data consagrou o Dia Internacional da Mulher, reconhecido oficialmente a partir de 1921.

Ainda na primeira década do século passado, uma tragédia matou cerca de 130 mulheres carbonizadas no incêndio de uma fábrica têxtil, em Nova York. O drama pautou manifestações no país, contribuindo com a luta feminista global da época. Os esforços aplicados nas sofridas batalhas por direitos estão mais ligados ao dia a dia árduo da mulher do que aos mimos a ela dispensados em março. Então, não seria demasiado clamar uma reflexão: o que, realmente, comemoramos e invocamos no Dia Internacional da Mulher?

Antes de tudo, o dia da mulher é todo dia., Por mais clichê que seja, a afirmação está longe de ser vivida pela sociedade. No Brasil, em uma década (2003 a 2013), a taxa de homicídio contra a mulher cresceu 21%; os salários femininos correspondem a 62% do masculino para os mesmos cargos; e elas trabalham 4,6 horas a mais do que eles por semana. É incontestável: rosas são incapazes de alterar essa realidade.

Claro que parabenizar e presentear são formas legítimas de homenagear as mulheres, porém são vazias se separadas do signo da homenagem. Neste Dia Internacional da Mulher, que tal uma atitude diferente? Junto à orquídea que daremos, vamos entregar nossa consciência repleta de equidade de gênero, caminhar lado a lado na luta por direitos, estender a mão sempre que a injustiça as perseguir e, sobretudo, retribuir o colo que nos é dado como ambiente de segurança e paz.

Elas são naturalmente nossas protetoras no papel de avó, mãe, esposa, irmã, tia, prima, amiga. Estão sempre cuidando de tudo, nos bastidores ou no palco, e transformando a vida em um belo espetáculo. Que outro ser teria a graciosidade das mulheres? Por isso, é com muito orgulho que afirmo: mulheres, hoje e sempre, estarei ao seu lado para lutar por seus direitos em quaisquer instâncias que estejam. Feliz ‘Força’ Internacional da Mulher a todos!