Um dos pilares da indústria japonesa vive o abalo de seu sistema de “produção enxuta.” O maior fabricante de carros do mundo, agora terá que conviver com as questões de imagem da marca, reputação da empresa e de seus produtos. A Toyota está sendo a parte mais visível desta questão, mas não é a única com “defeitos” na produção de produtos, ou como estamos nos acostumando “recall” de produtos. Analistas disseram ao The Wall Street Journal em Tóquio, que o foco incansável do Japão nos últimos anos em cortes de custos – em meio à recessão e à deflação – também teve um papel no aumento dos defeitos.
Um aspecto da nascente ciência de administração da cadeia de suprimentos é o compartilhamento de peças em várias linhas de produção, para obter preços melhores com a compra no atacado. Mas isso cria o risco de uma peça defeituosa causar problema não apenas em um produto, mas em várias linhas.
O exemplo mais crítico hoje é o da Toyota. Em recente entrevista de seu presidente a televisão japonesa NHK, Akio Toyoda disse "Sentimos muitíssimo por termos provocado essa desagradável situação aos clientes”.
Neste final de janeiro de 2010, a Toyota contabilizou que até 1,8 milhões de veículos serão retirados das ruas na Europa, chegando a quase 8 milhões o número mundial, mais que suas vendas do ano de 2009, que chegaram a 7,8 milhões de veículos.
Nos Estados Unidos foram convocados pela empresa 2,3 milhões de proprietários, para solucionar um defeito no acelerador, produzido por um fornecedor canadense. O defeito envolve oito modelos Toyota, entre os quais; Camry e Corolla, os dois sedã mais vendidos no mercado americano.
Segundo The Wall Street Journal, o número de incidentes aumentou muito depois que foi promulgada uma nova lei (2007) que obriga (pela primeira vez) as empresas japonesas a relatar todos os acidentes com seus produtos que resultarem em morte ou ferimentos graves. Antes a empresa decidia se divulgava ou não.
Mas outra questão é colocada pelo jornal: será que o declínio na qualidade da indústria japonesa diante da busca por meios de cortar custos e concorrer em nível mundial, não é a causa? A fonte de orgulho nacional “monozukuri” (fazer coisas) é o sucesso das maiores empresas japonesas, no pós-guerra, como Toyota, Sony e Panasonic.
Segundo o Ministério dos Transportes do Japão, o número de carros japoneses com problemas de fábrica corrigidos, de 2004 a 2008, foi o dobro do período anterior. Ainda, segundo o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, o número de recalls relacionados a problemas de segurança em produtos locais, sem contar carros, alimentos e remédios, subiu para 189 no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2009, alta de mais de 80%, frente a três anos.
Fonte: www.administradores.com.br