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:: Biblioteca
Básica para os Cursos em Graduação em Administração
O
Ensino da Administração no Brasil
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01)
Os
cursos de administração no Brasil têm uma história muito curta,
principalmente se comparamos com os EUA, onde os primeiros cursos
na área se iniciaram no final do século passado, com a criação da
Wharton School, em 1881. Em 1952, ano em que se iniciava o ensino
de administração no Brasil, os EUA já formavam em torno de 50 mil
bacharéis, 4 mil mestres e 100 doutores, por ano, em administração
(Castro, 1981).
Couvre
(1982) diz que a evolução de tais cursos se apresenta como uma faceta
do desenvolvimento do espírito modernizante. É neste sentido, isto
é, na mudança e desenvolvimento da formação social brasileira, que
devemos buscar as condições e as motivações para a criação desses
cursos. Para a autora, tais motivações estão relacionadas com o
caráter de especialização e com o uso crescente da técnica, tornando
imprescindível a necessidade de profissionais para as diferentes
funções de controlar, analisar e planejar as atividades empresariais.
Segundo
Martins (1989), o contexto para a formação do administrador no Brasil
começou a ganhar contornos mais claros na década de quarenta. A
partir desse período, acentua-se a necessidade de mão-de-obra qualificada
e, conseqüentemente, a profissionalização do ensino de administração.
O autor afirma que "o desenvolvimento de uma sociedade, até então,
basicamente, agrária que passava gradativamente a ter seu pólo dinâmico
na industrialização, colocou como problema a formação de pessoal
especializado para analisar e planificar as mudanças econômicas
que estavam ocorrendo, assim como incentivar a criação de centros
de investigação vinculados à análise de temas econômicos e administrativos".
Segundo
esta visão, tratava-se de formar, a partir do sistema escolar, um
administrador profissional, apto para atender ao processo de industrialização,
que se desenvolvia de forma gradativa, desde a década de 30 e que,
ficou acentuado no momento da regulamentação da profissão, ocorrida
na metade dos anos sessenta, através da Lei nº 4.769, de 09 de setembro
de 1965. Após esta lei, o acesso ao mercado profissional seria privativo
dos portadores de títulos expedidos pelo sistema universitário.
Portanto,
tal ensino veio privilegiar a participação das grandes unidades
produtivas, que passaram a constituir um elemento fundamental na
economia do país, principalmente a partir de 1964.
Para
Martins (1989), a grande preocupação com assuntos econômicos tem
seu marco em 1943. Neste ano, realizou-se, no Rio de Janeiro, o
primeiro Congresso Brasileiro de Economia, onde se manifestava grande
interesse pela industrialização do país, postulando-se iniciativas
concretas por parte do Estado para motivar a pesquisa em assuntos
econômicos. Porém, tais estudos vinham sendo realizados basicamente
nos cursos de Direito na disciplina de economia, vista como "formação
geral".
Somente
em 1945, surgiram os primeiros resultados quanto à implantação desse
ensino. Neste ano, Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde,
encaminhou à Presidência da República um documento que propunha
a criação de dois cursos universitários, o de Ciências Contábeis
e Ciências Econômicas. O documento afirmava que as atividades de
direção e orientação, tanto nos negócios públicos como empresariais,
atingiram um nível de maior complexidade, exigindo de seus administradores
e técnicos conhecimentos especializados. Isto permitiu que os cursos
de economia passassem a ter um caráter de especialização, não mais
de natureza genérica, como anteriormente.
A
criação desses cursos assume um papel relevante, uma vez que passou
a ampliar a organização escolar do país que, até então, se constituía
apenas de engenheiros, médicos e advogados.
Neste
sentido, é significativo considerar a importância do manifesto dos
"Pioneiros da Educação Nova" quando, ainda em 1932, abordavam a
necessidade de outros cursos universitários, além dos já mencionados
acima.
Couvre
(1982) vêm confirmar o pensamento dos autores já referidos, afirmando
que o ensino de administração está relacionado ao processo de desenvolvimento
do país. Salienta que sua criação intensificou-se, sobretudo, após
a década de sessenta, com a expansão do ensino superior, no qual
o ensino de administração está inserido.
Segundo
a autora, este processo de desenvolvimento foi marcado por dois
momentos históricos distintos. O primeiro, pelos governos de Getúlio
Vargas, representativo do projeto "autônomo", de caráter nacionalista.
O segundo, pelo governo de Jucelino Kubitschek, evidenciado pelo
projeto de desenvolvimento associado, caracterizado pelo tipo de
abertura econômica de caráter internacionalista. Este último apresentou-se
como um ensaio do modelo de desenvolvimento adotado após 1964. Neste
período, o processo de industrialização acentuou-se, sobretudo devido
à importação de tecnologia norte-americana.
O
surto de ensino superior, e em especial o de administração, é fruto
da relação que existe, de forma orgânica, entre esta expansão e
o tipo de desenvolvimento econômico adotado após 1964, calcado na
tendência para a grande empresa. Neste contexto, tais empresas,
equipadas com tecnologia complexa, com um crescente grau de burocratização,
passam a requerer mão-de-obra de nível superior para lidar com esta
realidade.
Para
Martins (1989), o surgimento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e
a criação da Faculdade de Economia e Administração da Universidade
de São Paulo (USP) marcou o ensino e a pesquisa de temas econômicos
e administrativos no Brasil, contribuindo para o processo de desenvolvimento
econômico do país.
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