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Experiência Diversificada [entrevista]

por Administrador do portal 21/08/2014 10h26

 

“Não investir o que é devido e não ter a consciência precisa da ação da educação como atividade transformadora da realidade organizacional constituem, a meu ver, os maiores pecados ainda praticados pelo empregador e pelo empregado”

Graduado em Administração pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 1971, o professor Sérgio Bezerra é especialista em Administração Financeira e Pesquisa Operacional pela Confederação Nacional da Indústria e mestre em Administração, com ênfase em Administração de Recursos Humanos, pela Universidade de Fortaleza. Defensor da educação para melhorias da gestão, Bezerra acredita que o Brasil ainda passa por problemas estruturais – o que pode levar ao chamado “custo Brasil” e à deterioração da moeda – e pela baixa produtividade na indústria, o que pode fazer com que os produtos brasileiros não consigam mais competir com as mercadorias de outros países. Preocupado com a interferência constante de profissionais de outras áreas na Administração, o professor, que já representou órgãos de classe, vê a falta de unidade de propósitos e a autoproteção como os principais problemas da categoria e defende a verticalização das atividades educacionais das instituições de ensino superior com a criação de escolas técnicas profissionalizantes.

REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO (RBA):

Com larga experiência no ambiente acadêmico, como o senhor avalia os cursos de Administração na época em que começou a lecionar e hoje? Houve evolução? O senhor acredita que os cursos de Administração são muito abrangentes? Acredita mais no profissional que “sabe um pouco de tudo” ou naquele que se especializa?

Sérgio Bezerra (SB): Fui avaliador do MEC/INEP de 1997 a 2006, período em que se deu a grande expansão dos cursos de Administração no Brasil, tendo a oportunidade de perceber e vivenciar profundas mudanças na área, em especial aquelas relativas à elevação da titulação dosdocentes nas instituições públicas.

O curso de Administração possui a tendência natural de ser generalista, multicultural e multifacetado, a adotar uma visão histórica e abrangente do mundo dos negócios, cuja ênfase deverá sempre recair sobre a valorização do ser humano como principal sujeito de qualquer processo organizacional.

Sou aposentado da Universidade Federal do Ceará e, quando ingressei na Faculdade de Administração, no ano de 1980, havia apenas um mestre no corpo docente constituído, à época, por cerca de 20 professores. Hoje, passados 34anos, o quadro foi expandido para 41 docentes, dos quais 90,9% são doutores e 9,1% são mestres. Tal fenômeno também ocorreu nas instituições privadas, muito embora em menor escala, a influenciar de forma muito positiva a melhoria do ensino ministrado. Outro ponto a considerar foi a implantação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) pelo Ministério da Educação, em 2004, o qual, apesar de requerer permanentes ajustes, está a prestar um excelente serviço ao ensino superior brasileiro. Aspecto favorável a ser destacado é o envolvimento do Sistema Conselho Federal de Administração na avaliação da qualidade dos cursos, a promover a institucionalização do processo e a ensejar uma efetiva participação dos CRAs nos cursos existentes em sua área geográfica de atuação, além de proporcionar uma salutável aproximação entre a academia e os organismos fiscalizadores da profissão. O curso de Administração possui a tendência natural de ser generalista, multicultural e multifacetado, a adotar uma visão histórica e abrangente do mundo dos negócios, cuja ênfase deverá sempre recair sobre a valorização do ser humano como principal sujeito de qualquer processo organizacional. É válido observar que um bom curso deverá levar o aluno a adquirir, ao longo de quatro anos, uma formação específica e motivadora nas várias especialidades da Administração (recursos humanos, marketing, produção, finanças, métodos e sistemas, material, gestão etc.) que o remetam à pós-graduação, porquanto em um mundo cada vez mais competitivo o estudo permanente e a atualização do conhecimento são atitudes obrigatórias para quem deseja alcançar o sucesso profissional.

RBA: Em outubro temos eleições, e o voto consciente está cada vez mais escasso, pois sabemos que o brasileiro, de modo geral, não se envolve com política e até esquece em quem votou. Como mudar essa situação?

SB: Trata-se de uma excelente oportunidade para se eleger candidatos sérios, honestos, competentes, comprometidos com a melhoria das ações de educação e de saúde, capazes de contribuir para a criação de uma infraestrutura eficiente e eficaz de energia, estradas, navegação de cabotagem, portos e aeroportos e que façam o povo superar a máxima dita por Pelé há mais de 30 anos, de que o brasileiro não sabe votar. Mesmo com todas essas agruras, julgo estar o Brasil a evoluir de forma positiva e que a minha geração ainda verá o país atingir o seu destino de ser uma grande nação.

 

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