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Menos tempo com mais produtividade. É possível fechar essa equação? [capa]

por Administrador do portal 12/12/2014 15h39

 

A típica frase de reclamação “amanhã é segunda-feira” já se tornou repetitiva nos lares de muitas pessoas. Não se pode negar que é cultural no Brasil a ideia de que trabalhar é algo penoso, cansativo, estafante. Mas, enquanto pensam assim, as pessoas esquecem a função social tão importante de cada atividade desempenhada na sociedade. Esquecem de que se o padeiro não chega de madrugada na padaria, as famílias não terão pão disponível para tomar café da manhã. Esquecem também, por exemplo, que se o gari não limpar as ruas a cidade vai virar um caos. Talvez essa sensação de que o trabalho é algo tão sofrido tenha nascido já na origem da própria palavra: “trabalho” vem do latim tripalium, que significa “tripálio”, uma técnica de tortura obtida com três paus fincados no chão, aos quais a pessoa era afixada e seu ânus, perfurado. Até mesmo uma tradição católica traz um pouco a ideia de que trabalhar é uma punição. Quando Apolo foi expulso do paraíso, foi obrigado a trabalhar, mostrando, assim, um paradoxo entre paraíso e trabalho.

Diante de todas essas situações e acrescentando, ainda, que a maioria das pessoas passa a maior parte do seu tempo trabalhando, tornam-se cada vez mais comuns discussões sobre como tornar o ofício mais prazeroso, ou até mesmo como conciliar a vida tão corrida com atividades de lazer, descanso e ócio. O sociólogo e escritor italiano Domenico de Masi já defendia, na obra “O Ócio Criativo”, que as pessoas podem se libertar da ideia tradicional do trabalho como obrigação e tentar mesclar atividades variadas em seu tempo livre, como lazer, atividades físicas, estudos, etc. Muito antes, em 1880, Paul Lafargue, autor de “O Direito à Preguiça”, já discutia a redução de jornada. Ele ainda afirmava que a causa da degeneração intelectual dos trabalhadores – e até a deformação de caráter destes – se deveria ao excesso de trabalho. O trabalho, sob o modo de produção capitalista, representaria a negação do tempo livre aos operários, absorveria todos os seus demais instintos e desenvolveria o que Lafargue chamou de “uma estranha loucura”, que é o amor pelo trabalho, imposto pelas classes proprietárias dos meios de produção e abençoado pela religião. Outra obra clássica sobre a necessidade de redução da jornada de trabalho é “O Elogio ao Ócio”, de Bertrand Russel, publicado em 1935.

Russel critica o que ele chama de “crença na virtude do trabalho”, que seria responsável por uma série de malefícios vivenciados pela humanidade.

Russel critica o que ele chama de “crença na virtude do trabalho”, que seria responsável por uma série de malefícios vivenciados pela humanidade.Mas será que o futuro é de quem conseguirá, enfim, praticar o tal ócio criativo de Domenico de Masi, ou mesmo a redução das consequências negativas aos trabalhadores? Uma das alternativas que vêm sendo discutidas para amenizar a situação – principalmente pelos movimentos sindicais – é a redução da carga horária de trabalho. Tradicionalmente, a maioria das pessoas trabalha oito horas por dia. Mas há bastante tempo têm sido discutidas possibilidades de redução para seis horas. Em algumas categorias profissionais, inclusive, isso já é previsto em lei. Mas, mesmo assim, as opiniões se dividem e o tema é controverso.

 

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Ed.103 Nov/Dez

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