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Preparo e muito trabalho [ Entrevista ]

por Administrador do portal 12/12/2014 15h50

 

“Acredito que o Administrador pode sim atuar em qualquer área. Porém, o sucesso com empreendedor, no meu entendimento, depende de uma combinação especial da qualificação profissional com o perfil individual e ainda com o ânimo para trabalhar muito”

 

Administrador, presidente do Grupo BSPAR, presidente da Fundação Beto Studart e presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Beto Studart é um profissional versátil. Foi da área química à imobiliária, passando também pela área da saúde, já que é filho de médico.

“Assumi um compromisso pessoal de emprestar minha expertise de gestor, de empresário com mais de 40 anos de trajetória, para a nossa Federação.

Além disso, encontra tempo para a área social em atividades na entidade que leva seu nome. Acredita que o Administrador, assim como todo profissional, precisa se qualificar. Mas de nada adianta o preparo, segundo ele, sem muito trabalho. Eleito presidente da FIEC em março de 2014, Studart conta que vem se preparando e treinando uma equipe de profissionais para esse desafio há cinco anos. “Assumi um compromisso pessoal de emprestar minha expertise de gestor, de empresário com mais de 40 anos de trajetória, para a nossa Federação. Tenho oferecido meus conhecimentos em prol da instituição, que espero fazer mais eficiente no papel de fortalecer a indústria do meu Estado”, afirma. Aumentar a eficiência operacional, dar maior agilidade aos processos e reduzir custos serão objetivos de Studart para que a indústria possa desenvolver melhor o seu papel no Estado.

 

REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO (RBA):

O senhor é um profissional que já atuou em diversas áreas, sendo o setor químico um dos principais. Como foi a mudança do setor químico para a área imobiliária? Quais os desafios para mudar de áreas assim tão diferentes? O senhor acredita que o Administrador é um profissional que inevitavelmente atua em diferentes áreas?

 

BETO STUDART (BS): Quando assumi a liderança da Agripec eu tinha apenas 22 anos. Em 37 anos de trabalho intenso, ela tornou- se uma das empresas do setor químico a ter maior visibilidade no Brasil, entre as empresas de capital nacional. Líder nacional, ainda que sediada no Ceará, chamou a atenção mundialmente e fez os olhos de muitos se voltarem para a nossa terra, árida no solo, mas fértil em talentos humanos. Esse sucesso culminou na aquisição da empresa por um grupo australiano, a Nufarm. Com a venda da empresa e por meu perfil inquieto, segui empreendendo. A “escolha” pelo setor imobiliário foi quase natural, porque eu já vinha investindo na área desde os tempos da Agripec. Comecei com parcerias, a partir de incorporações com os amigos. Gostei do negócio, vislumbrei um mercado em ascensão e resolvi imprimir a minha marca. O Grupo BSPAR é hoje um importante player em Fortaleza e em Natal, já reconhecido por solidez, credibilidade e qualidade. Acredito que o Administrador pode

sim atuar em qualquer área. Porém, o sucesso como empreendedor, no meu entendimento, depende de uma combinação especial da qualificação profissional com o perfil individual e ainda com o ânimo para trabalhar muito.

 

RBA: Sendo um grande empreendedor, como o senhor analisa a cultura do empreendedorismo hoje no Brasil? O senhor acredita que os Administradores saem das universidades com o “espírito” empreendedor? Ou essa cultura ainda não está na nossa sociedade? Como poderíamos contribuir para melhorar isso?

BS: Não tenho acompanhado muito desperto como as universidades têm trabalhado os currículos no que tange ao empreendedorismo. Na minha época de estudante, essa era uma palavra que nem sequer a gente falava, quanto mais como conceito ou cultura. Hoje, apesar de termos mais acesso à informação, apesar de o mercado ser mais aberto, não observo esse “espírito” em muitos jovens. Os empreendedores são ainda minoria, e talvez por isso mesmo se destaquem na sociedade. Penso que há possibilidades para contribuir na formação dos jovens, de modo a dar-lhes uma visão mais audaciosa sobre suas carreiras. O exemplo daqueles que se destacam são, talvez, a melhor escola, porque inspiram. Há cursos, treinamentos, pós-graduações e outras iniciativas educacionais que já se voltam para esse aspecto. O Senai e o IEL, por exemplo, instituições ligada ao Sistema Indústria, em muitos de seus diversos cursos de formação profissional, enfocam esse aspecto do empreendedorismo, contribuindo efetivamente para fortalecer essa cultura entre nós.



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