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Produtividade em baixa, o que fazer? [ Matéria ]

por Administrador do portal 07/04/2015 16h43

 

Produtividade em baixa, o que fazer? 

Em 2014, voltou a ser notícia nos meios de comunicação a produtividade no Brasil e os motivos pelos quais o desempenho do trabalhador nacional não consegue avançar. Entre as diferentes razões está a forma como o brasileiro se relaciona com o emprego. Esse é um dos principais fatores a sabotar a evolução da eficiência produtiva do trabalhador nos diferentes setores do mercado nacional. O professor do Ibmec-MG e especialista em Relações de Trabalho e Negociação João Bonomo diz que a produtividade brasileira é afetada pela maneira como o trabalho se desenvolveu no Brasil, o que influencia até hoje no olhar do brasileiro em relação ao cargo que ocupa.

“O trabalho é encarado como um castigo e os frutos advindos deste devem ser repartidos. O brasileiro vê o trabalho como uma ‘purgação’,

como uma etapa que poderá redimi-lo e amainar seus pecados. O trabalhador tem um perfil de homem gentil, subserviente, obediente, o que torna essa perspectiva ainda mais real, pois com a obediência consegue um trabalho e, pelo esforço impetrado na atividade laboral, ele se redime e poderá conseguir o que deseja”, declara. E tal pensamento tem uma influência histórica. Na visão do professor, o Brasil se desenvolveu sob o aspecto do colonizador. Como sempre houve senhores, feitores e capangas para supervisionar e vigiar, o trabalhador brasileiro aprendeu a descansar quando não fosse observado. “Se não houver autodisciplina, como poderemos ser produtivos? Elementos legais reforçam a tese de que o brasileiro vê o lucro como algo proibitivo e aliciador, e que só é alcançado mediante o esforço do outro. O capital é, culturalmente falando, decorrência do esforço de alguém que está abaixo e que serve a esta finalidade proibida”, completa. A colonização do país, feita por diferentes povos, também formou populações desiguais em ternos de produtividade. Conforme explica Bonomo, outros fatores, como o tipo e o tempo de industrialização, a base econômica e a dificuldade de acesso às regiões mais afastadas do mar, como o centro-oeste e o norte, barram os avanços no setor educacional. Assim, a qualificação profissional não acontece, interferindo na eficiência do trabalhador.

“Saber se relacionar com os demais membros de sua categoria profissional, priorizar possibilidades de atuação, perceber-se como um ser colaborativo, cooperativo e também estar constantemente inconformado com a sua situação”

JOÃO BONOMO, PROFESSOR DO IBMEC-MG


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Ed.104 Jan/Fev

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