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Visão estratégica [ Entrevista ]

por Administrador do portal 05/08/2015 14h22

 

Visão estratégica

“As empresas mais bem-sucedidas põem as pessoas em primeiro lugar – e antes mesmo dos clientes –, pois elas, quando engajadas, irão encantar e reter os clientes”

É assim que o professor Idalberto Chiavenato, referência na área da Administração no Brasil, define o sucesso de uma corporação. Além de ter ampla experiência na área, principalmente em RH, o professor também tem formação em Filosofia e Pedagogia, outras duas áreas do conhecimento que lhe proporcionaram vivência e atitude para desenvolver seus trabalhos bem-sucedidos na Administração.

“O importante é que o novo Administrador seja preparado com ferramental cognoscitivo adequado para constituir um agente de mudança organizacional a partir de uma visão crítica e sistêmica”

O professor acredita que o ensino da Administração no Brasil deve ser reinventado, tornando o aluno participante, ativo e proativo, e não apenas um espectador. “O importante é que o novo Administrador seja preparado com ferramental cognoscitivo adequado para constituir um agente de mudança organizacional a partir de uma visão crítica e sistêmica”, alerta.

Além de tecer críticas ao governo atual, Chiavenato acredita que quem governa deve ser um Administrador e estrategista, e não apenas um político. Para os Administradores que estão iniciando a carreira, o professor alerta: é preciso um misto de percepção crítica que envolva visão sistêmica – ver o todo e não apenas uma de suas partes; visão periférica – sair da caixa e entrever o que está fora dela ao seu redor; e visão antecipatória – entrever as decorrências ou consequências futuras das suas decisões atuais. “Tudo isso ao mesmo tempo, como se tivesse três visões simultâneas.”

REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO (RBA):

Um dos grandes temas tratados hoje é como as organizações bem-sucedidas se mantêm bem, o que fazem em meio a crises etc. Agora, por exemplo, vemos grandes empresas (como as montadoras de veículos) demitindo muita gente por conta de vários problemas. O que o senhor considera primordial para que as empresas se mantenham bem? Quais os principais pecados dos empresários, hoje?

IDALBERTO CHIAVENATO (IC): Em primeiro lugar, meus cumprimentos a todos os leitores da Revista RBA. É sempre um imenso prazer estar em contato. O fato é que estamos vivendo uma era de intensas mudanças, que envolvem transformações, tanto positivas como negativas, em um fluxo dinâmico e interminável. Claro, muitas dessas mudanças são ótimas para a saúde organizacional, enquanto outras são até perigosas, como o caso das crises que estamos vivendo há meses no nosso país. Jogo de cintura é pouco quando tantas interferências externas devidas à má gestão da coisa pública colocam pedras pela frente das empresas. Quase sempre, os pecados não são dos empresários, que precisam partir para planos contingenciais, mas de quem deveria cuidar melhor do entorno geral.

 

RBA: O senhor tem vários trabalhos na área de RH. Em sua opinião, quais os principais problemas enfrentados hoje nessa área nas grandes empresas? Por que vemos tanta gente insatisfeita com o trabalho? O que as empresas, por um lado, podem fazer para segurar mais funcionários bons e satisfeitos e, de outro lado,

como o funcionário também deveria agir pra estar nessa situação?

 

IC: RH trata de gente, de suas competências e realizações. Na verdade, organizações e empresas são entidades fictícias que ocupam certo espaço e tempo. Elas são constituídas de conjuntos integrados de pessoas que utilizam recursos para trabalhar. Podem até mesmo ter um endereço físico ou virtual, mas o endereço pode mudar e elas continuam exatamente as mesmas. Elas não são prédios ou instalações. São conjuntos integrados de pessoas que formam organizações e empresas. Elas são entidades sociais. E toda essa diversidade humana – afinal, as pessoas se caracterizam pelas suas diferenças individuais, que lhes dão personalidade e individualidade – precisa caber em um esquema de integração e alinhamento para alcançar determinados objetivos comuns. Contudo, as pessoas precisam receber algo em troca, como retorno de seus investimentos pessoais ou coletivos na atividade organizacional. Esse é o segredo para não somente reter talentos e capital humano, mas, principalmente, para encantar e engajar pessoas – o parceiro mais importante do negócio, aquele que define o sucesso ou fracasso do empreendimento. Tanto que as empresas mais bem-sucedidas põem as pessoas em primeiro lugar – e antes mesmo dos clientes –, pois elas, quando engajadas, irão encantar e reter os clientes. É bom lembrar que a qualidade externa nunca é maior do que a qualidade interna. E a qualidade interna está na mescla otimizada de uma cultura corporativa incorporadora; na arquitetura interna, que serve de plataforma para conectar as pessoas; e no estilo de gestão humana que os líderes e gestores adotam. Esse é o arcabouço que proporciona o feedback adequado e torna os colaboradores engajados e satisfeitos.

 

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Ed.104 Jan/Fev

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