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Workaholism - Mais um mal do século XXI [MATÉRIA]

por Administrador do portal 16/09/2015 14h14

Há 30 anos, fazer fotos era uma atividade que demandava alguns dias: era preciso comprar um rolo de filme com até 36 poses, inserir na câmera, disparar o número de poses possíveis, rebobinar o rolo, levá-lo ao laboratório de revelação para, dias depois, receber as fotografias impressas. Atualmente, com um celular razoável, é possível fazer milhares de fotos e visualizá-las na mesma hora. Ninguém precisa roer as unhas por uma semana para ter em mãos o registro da festinha de um ano do filho ou quaisquer outros eventos. Os avanços tecnológicos, especialmente das últimas três décadas, trouxeram inúmeros benefícios e facilidades como a estampada no primeiro parágrafo desta matéria.

níveis altos de estresse, péssima qualidade de vida, escassez de tempo e outras variáveis da vida moderna. Dentre os novos males do século, surge o vício no trabalho, atualmente chamado de Workaholism.

Mas nem tudo é positivo. O atual mundo globalizado é instantâneo, individualista, carente de privacidade, caro e extremamente competitivo. Agregadas à frenética evolução digital, surgem (ou se potencializam) patologias psicológicas até então incomuns, muitas vezes citadas como “os males do século XXI”. A já conhecida depressão tornou-se gripe, quase todos experimentam em algum momento da vida. Transtorno bipolar, déficit de atenção, hiperatividade, borderline e outras doenças já catalogadas são cada dia mais comuns. O motivo é simples: níveis altos de estresse, péssima qualidade de vida, escassez de tempo e outras variáveis da vida moderna. Dentre os novos males do século, surge – ou talvez se aprimore – o vício no trabalho, atualmente chamado de Workaholism.
Esse excesso de competência que algumas pessoas tentam demonstrar em seus trabalhos pode se tornar doentio. A alta competitividade no mercado influencia tal comportamento. Por medo de perder sua colocação, o profissional faz da atividade laboral prioridade suprema da sua vida. Família e qualidade de vida dão lugar às horas excessivas de trabalho e à caixa de e-mail, que não pode deixar de ser checada a cada hora. Sem dúvida, a intenção é boa, afinal é preciso pagar as contas, mas... Onde está o limite que separa o trabalhador dedicado do workaholic (trabalhador compulsivo)? Um conceito novo e ainda pouco estudado, o workaholism é fato e traumatiza suas vítimas. Para ter ideia do quanto a situação é traumática, todas as pessoas consultadas para esta reportagem que já sofreram desse mal não quiseram comentar o assunto, devido ao desconforto das lembranças. Tão desconhecido quanto grave, o tema vem aparecendo timidamente na mídia. Trazê-lo à luz do conhecimento coletivo é fundamental para que seja combatido. Diferentemente do que se acredita, o viciado em trabalho sofre, não produz com a qualidade necessária e pode contrair outras patologias de ordem psíquica e emocional.

COM O ACIRRAMENTO NA COMPETITIVIDADE PROFISSIONAL, OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS E A FALTA DE PRIVACIDADE DO MUNDO GLOBALIZADO SURGE UM NOVO VÍCIO: TRABALHO

 

Veja a reportagem na íntegra na edição 106 da RBA. Assine.