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O lucro (in)tagível da humanidade

por Administrador do portal 22/12/2015 15h41

 

Poucas virtudes são tão mal compreendidas no mundo corporativo como a humildade. Nós a confundimos com fraqueza e até mesmo covardia. É uma pena pensarmos assim! Uma pessoa humilde é exatamente o extremo oposto desse estúpido estereótipo. Isso porque são necessárias força e coragem para dizer: “Desculpe-me, o erro foi meu”; “De fato, você tem razão, a sua ideia é melhor do que a minha”...

Ser humilde, essa é a verdadeira revolução! Para não pairar dúvidas, humos é a palavra latina da qual se origina nosso termo “humildade”

Essas e tantas outras falas e atitudes advindas de uma postura de humildade são realmente revolucionárias. Nada mais comum do que ver figuras de sucesso – ou de relativo sucesso, a depender de como o definimos – com aquelas caras tatuadas de vaidade, arrogância, orgulho, sem qualquer espaço para essa virtude linda chamada humildade. Ser humilde, essa é a verdadeira revolução! Para não pairar dúvidas, humos é a palavra latina da qual se origina nosso termo “humildade”. Humos, originalmente, significa terra e aí então começam, quem sabe, nossas interpretações equivocadas sobre humildade. Ser humilde não equivale a ser terra pisada, cuspida, inerte, sem poder de reação. Há um aspecto da terra pouco considerado.

Para entendê-lo, tomemos como exemplo uma simples manga. Nós a colhemos, a usamos para nosso prazer e devolvemos para a terra o seu caroço, a parte que não nos interessa. A terra acolhe o que rejeitamos e nos retorna com outra manga. A terra é essa bendita mãe capaz de transformar lixo em energia e vida. A verdadeira humildade (húmus – terra) dá aos profissionais que a cultivam a incrível habilidade, desculpem-me pelo clichê, de fazer do limão uma limonada. Onde a arrogância vê caroço que não presta para nada, a humildade enxerga semente que produz vida. Que paz incrível, que leveza quase insustentável de ser é essa maneira de viver na qual o ego, o meu ego, não está no centro. Que bom saber que as coisas não acontecem por minha causa, sou apenas um elemento a mais, uma variável numa complexa equação.

 

EDUARDO PEREIRA