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Capa ed97 - SOMOS MUITOS... Mas será que somos grandes?

por Administrador do portal 14/01/2014 10h46

 

Os Administradores são muitos no Brasil. O curso superior de Administração é o que tem o maior número de estudantes matriculados nas Instituições de Ensino Superior (IES): mais de 850 mil, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). Fazendo uma comparação entre o Censo da Educação Superior de 2011 e o de 2012, houve um crescimento de 14,5% no número de ingressos de alunos nos cursos que formam Administradores e de 5,8% no número de concluintes.

Mas será que somente números altos bastam? E a qualidade, como está? Na opinião do diretor da Câmara de Formação Profissional do Conselho Federal de Administração (CFA), Samuel Melo Júnior, apesar de os dados do censo da educação superior realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) serem animadores e mostrarem uma evolução, eles não são suficientes  mesmo. Ele lembra que a avaliação oficial do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) em 2012 apresenta aumento expressivo nos conceitos 3, 4 e 5 e uma redução significativa do conceito 1 do ENADE dos cursos de Administração, 4 dos dados do censo da educação superior realizado pelo Inep/MEC, o que significa que o cenário apresenta desafios e que a “culpa” dos cursos não serem tão bons quanto deveriam não é apenas de um ou outro, mas deve ser compartilhada (avaliações abaixo de 3 são consideradas insatisfatórias pelo MEC.

 Para estarem em um nível aceitável de prestação de serviços de educação, é preciso tirar de 3 a 5, a nota máxima.). A nota média do Enade de Administração em 2012 foi de 2,33 – em 2009 ela foi de 2,29. E, para Melo Júnior, providências devem ser tomadas. “Embora o processo de avaliação das IES no Brasil esteja institucionalizado, é necessária uma maior sinergia entre os fatores envolvidos nesse processo – leia-se IES e sua comunidade acadêmica, Conselhos de Classe, MEC e sociedade – como forma de melhorar as modelagens de avaliação”, opina. Já o professor Mário Cesar Barreto Moraes, vice-presidente da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad), acredita que há cursos da área excelentes no Brasil, tanto em instituições privadas como em públicas. “Em que pesem as críticas ao ranqueamento derivado das notas do Enade, é importante destacar que neste conjunto encontram-se IES públicas e privadas, faculdades, centros universitários e universidades”, comenta. O professor acrescenta ainda que são utilizados diferentes critérios de ranqueamento, com base em diferentes indicadores de avaliação, para classificar instituições de ensino superior. Mas quais seriam, então, as características que devem ser valorizadas nos cursos de Administração já existentes e o que pode mudar para torná-los ainda melhores? As opiniões dos especialistas se complementam.

Exige-se pouco dos alunos e a maioria dos professores releva o baixo desempenho nas avaliações de aprendizagem. Além disso, os conteúdos programáticos são parecidos” Samuel MELO JUNIOR

A coordenadora da Graduação do Instituto de Ensino e Pesquisa de São Paulo (Insper-SP), professora Luciana Yeung, acredita que a formação do Administrador deve ser abrangente, uma vez que se trata de uma profissão que demanda muitas habilidades. Segundo ela, o aluno de Administração deve ter disciplinas que contemplem a área humanística e a quantitativa, o que já é comum no exterior, para conseguir resolver problemas – demanda frequente do Administrador. “Hoje, grande parte das instituições relegam o lado quantitativo”, critica. “Claro que cada escola tem que escolher a sua visão, a sua missão, e às vezes os  estores têm visões diferenciadas. Mas acredito que a formação aprofundada, geral, é a mais indicada. Um curso somente teórico não vai formar um profissional completo”, opina. A opinião de Luciana é compartilhada pelo professor Moraes, vice-presidente da Angrad. Ele acredita, inclusive, que a formação específica é mais apropriada para uma pós-graduação.

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