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Pra frente - Entrevista Ed.97

por Administrador do portal 14/01/2014 10h44

 

Para Alexandre Caldini, ninguém pode se deixar abater pelos desafios e dificuldades que a vida oferece, tampouco deixar de acreditar que em um pais onde a população esta indo para a rua reivindicar seus direitos não se deve perder a esperança de que pode haver melhorias. Administrador formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e com cursos de especialização no Insead, na Franca, e em Harvard, nos Estados Unidos, ao longo dos seus 30 anos de carreira trabalhou com marketing e negócios na Editora Abril, Colgate, Novartis, Diaggeo, DuPont e Valor Econômico. Foi, ainda, professor das faculdades de Economia e Administração de Empresas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Nos últimos 15 anos têm atuado no setor de mídia dirigindo a revista Exame, sendo que desde 2012 preside o jornal Valor Econômico. Em 2011 Caldini recebeu o premio Cabore como “Profissional do ano de veiculo” e em 2012 foi agraciado como “Administrador de Destaque” pelo Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP).

REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO (RBA) - O senhor tem uma larga experiência na área de Administração, pois já atuou em grandes grupos – e não só no setor jornalístico. E agora está há um ano e meio à frente de um grande veículo de imprensa, o jornal Valor Econômico. Como o senhor avalia essa sua passagem  por empresas de setores diversos para o setor jornalístico? Foi difícil se afeiçoar? Qual foi (ou quais foram) o maior desafio?

 

Um Administrador pode dirigir qualquer empresa, qualquer negócio, qualquer organização, qualquer iniciativa. Somos treinados para isso.”

Alexandre Caldini (AC) - Uma das grandes belezas da carreira na Administração é exatamente isso: se administram empresas, no plural. Um Administrador não é um especialista focado apenas num determinado assunto. Não é como um médico oftalmologista, ou um engenheiro eletrônico, um advogado trabalhista. Um Administrador pode dirigir qualquer empresa, qualquer negócio, qualquer organização, qualquer iniciativa. Somos treinados para isso. Eu tive a felicidade (e o cuidado, pois isso foi planejado) de passar por vários segmentos, e estou à frente do Valor faz um ano e meio. Nos meus 30 anos atuei em seis empresas, em cinco segmentos: indústria química (DuPont), bebidas (Diaggio), higiene e limpeza (Colgate), alimentos (Novartis Nutrition) e imprensa (Abril e Valor). Em todas aprendi muito. A soma das experiências tidas nessas indústrias forma a base do meu conhecimento atual. Então, respondendo a sua pergunta, eu digo que foi muito simples me adaptar a uma nova indústria, a mídia. E foi fácil me adaptar porque uma empresa é... uma empresa! Como outra empresa de qualquer segmento. O papel do Administrador, seja qual for a empresa em que atua, é o mesmo: você precisa cuidar das pessoas, dos produtos, da distribuição, dos diferenciais mercadológicos, da tecnologia, das operações, dos aspectos legais...enfim de tudo. E isso varia muito pouco entre empresas de setores diferentes. E o que varia e é específico de cada empresa é justamente o que dá um gostinho todo especial ao trabalho do Administrador. Aprender as (ínfimas) diferenças e como lidar com aquela indústria é fascinante! No mais é tocar o barco, feliz e motivado, rumo a um belo futuro.

RBA - À frente de um dos grandes veículos de jornalismo econômico do país e acompanhando todos os dias, bem de pertinho, toda a movimentação política e econômica, como o senhor avalia o momento econômico atual do governo Dilma? Quais ações do governo federal estão sendo positivas? O que ainda falta melhorar, na sua opinião?

AC - Minha opinião nesse assunto pouco importa. Não tem mais peso que a de qualquer outro Administrador ou profissional. O que de fato importa é ver o quanto caminhamos recentemente. Reconhecer o que conquistamos, que não foi pouco. Acho que nos deixamos abater muito facilmente por coisas menores ou temporárias. Recentemente, ouvi dois estudiosos que eu (e o mundo) respeito, falando coisas muito interessantes sobre o Brasil: ouvi em eventos recentes Michael Porter e Jim O’Neil. Porter mostrava para uma plateia de executivos e empresários desanimados que o Brasil, comparativamente com os demais países do chamado BRICS, tem uma posição muito interessante quando se compara PIB versus qualidade de vida. Estamos bastante bem. Ele frisava que isso é meritório e que aconteceu por conta de inúmeras ações que tomamos recentemente. O’Neil – o criador do termo BRICS – disse várias vezes em seu discurso que discordava e não entendia por que estávamos todos tão pessimistas com relação à economia brasileira. Mostrou dados e fatos e disse acreditar que o Brasil pode crescer 4% em 2014. Citou como exemplo de sua indignação com o nosso pessimismo a qualidade de nossa preocupação: enquanto os empresários espanhóis preocupam-se com níveis de desemprego que batem 50% entre seus jovens nós, os Administradores brasileiros, estamos aborrecidos com a falta de mão de obra qualificada por conta do quase pleno emprego!

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