Você está aqui: Página Inicial / Edições / Edicao98 / Por uma boa causa. Por um bom negócio.

Por uma boa causa. Por um bom negócio.

por Administrador do portal 07/03/2014 15h33

 

As empresas – ou negócios – sociais podem ser uma gota no oceano. Mas, juntas, são capazes de provocar grandes ondas de transformação. Para isso é preciso que tenham condições de sobrevivência.

Quando o economista e banqueiro Muhammad Yunus propôs ao executivo da Danone, Franck Riboud, a criação de um “negócio social” não esperava tamanha prontidão. A Grameen Danone Foods, como tantos outros negócios sociais que existem no mundo, teria a missão de criar um iogurte especial capaz de combater a desnutrição das crianças de Bangladesh. Ao ouvir a proposta do economista, o presidente da Danone respondeu, sem hesitar: “Concordo”. Yunus ficou surpreso, pois ainda não havia explicado ao empresário que nos chamados “negócios sociais” - ou “empresas sociais” todo o lucro é revertido para o próprio projeto, ou seja: no caso da Grameen, para tirar mais e mais crianças da situação triste em que vivem. E Yunus ainda brincou, descrente: “Ele não entendeu o meu inglês”. Mas o executivo da fabricante de produtos láteos não tinha entendido errado, não! Ele teve mesmo a preocupação social em criar a Grameen, que, desde 2006, é responsável por retirar muitas crianças da situação de desnutrição naquele país. A Grameen é apenas um exemplo, mas no Brasil há outros vários negócios (ou empresas) sociais, embora ainda não seja um conceito tão difundido e adotado. Um estudo que está sendo feito pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEAUSP) – o Projeto Brasil 27 revela a existência de pelo menos 600 negócios sociais no país. Esses negócios ainda estão sendo avaliados para verificar se realmente se enquadram na categoria, mas certamente revelam a diversidade de fatores que caracteriza um negócio social. Como explica a professora da FEAUSP e coordenadora do Centro de Produtividade Social e Administrativa do Terceiro Setor (CEATS), Graziela Comini, no Brasil é mais comum o negócio social, e não a empresa social.

O que classifica uma empresa social é quando ela tem como atividade prioritária atuar na seara social. Tem lucro, mas a grande questão é: o que eu faço com esse lucro? Se for todo reinvestido no próprio negócio, como explicou Yunus, pode ser classificada como uma empresa social

Uma empresa que atua na lógica de mercado pode ter um negócio social – como é o caso da Danone. Ou também a empresa pode ser “totalmente social”, como explicou Yunus, que criou o conceito. De acordo com ele, esse tipo de empreendimento reverte todo o seu lucro no próprio negócio, em prol da sociedade. “Mas hoje temos uma visão mais ampla desse conceito. Temos aquelas empresas que têm exclusivamente o propósito social juntamente com a lógica de mercado e aquelas que têm somente o negócio social”, esclarece a professora Graziela. Segundo ela, no Brasil, esse campo é relativamente novo e algumas atividades voltadas para a área social não podem ser classificadas como “empresas sociais”. “O que classifica uma empresa social é quando ela tem como atividade prioritária atuar na seara social. Tem lucro, mas a grande questão é: o que eu faço com esse lucro? Se for todo reinvestido no próprio negócio, como explicou Yunus,
pode ser classificada como uma empresa social”, alerta.

 

Leia a matéria na íntegra. Assine a Revista Brasileira de Administração ou acesse a edição digital.

Ed.98 Janeiro/Fevereiro

Edições Anteriores