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Confraternização de final de ano em risco

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por imprensa 10/11/2015 16h43
Em período de contenção de gastos, festa de fim de ano da firma pode ser cortada

 

Neste fim de ano, empresários e gestores estão numa saia justa e precisam decidir se vão comemorar ou não o Natal e o ano-novo com os funcionários. Muitos questionam se vale a pena promover uma reunião para descontração entre os empregados em meio à contenção no orçamento e ao corte de despesas — consequências da recessão. Outros, porém, enxergam nas celebrações uma chance de antídoto contra a crise, já que poderiam dar ânimo aos colaboradores.

Proprietária da 2 Tempos, composta por duas lojas na Asa Sul e uma fábrica de roupas em Taguatinga, Cristiane de Moura, 46, está no mercado há 25 anos e acredita nunca ter visto um ano tão ruim como este para o comércio. Mesmo assim, ela pretende festejar com os 52 funcionários e as respectivas famílias. “Eu acho que isso dá otimismo e traz um gás para o fim do ano. É o único momento em que junto as meninas da fábrica e as das lojas — é importante essa reunião porque o trabalho de uma depende do da outra”, explica. A celebração será durante o dia na casa da empresária, no Lago Norte. A consultora de vendas Andreia Pereira, 44, aprova a iniciativa. “Acho muito importante esse tipo de evento, tanto que, aqui na loja, a gente ainda faz uma festinha particular, com a gerente e as outras meninas.”

Os irmãos Vinicius Eid, 37, e Vanessa Eid, 39, também encaram as comemorações corporativas como uma forma de agradecimento à equipe, cuja importância se torna ainda maior em épocas de vacas magras. Proprietários das marcas Clube Melissa e Chilli Beans no DF, eles organizam, além das festas produzidas pelas franqueadoras, um encontro, geralmente um café da manhã. A reunião é motivacional, mas não tem nada de chata. Em um auditório, os 230 empregados, incluindo vendedores, gerentes e supervisores, lancham, assistem a palestras e recebem prêmios. A pedido dos proprietários, os palestrantes nunca falam sobre técnicas de venda. Em vez disso, dão espaço para discussões sobre autoestima, bom humor e energia positiva. As recompensas também não são convencionais: vão desde videogames até viagens.

“Independentemente de crise, a gente tem como prioridade dar atenção aos funcionários, porque eles são nossa linha de frente. Com a economia enfraquecida, deixar nossa galera desanimada seria uma receita para o fracasso”, esclarece Vanessa.

Festejar o que?

Ante as baixas perspectivas de aumento das vendas no fim do ano por conta da crise, Edson de Castro, 61, dono de oito lojas e presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista-DF), preferiu não organizar nenhum evento corporativo para encerrar o ciclo de 2015. Segundo ele, não houve resultados que pudessem ser comemorados. Castro também não admitiu apoio temporário nem contratou empregados para duas vagas fixas. “Quando se faz uma celebração, você está com a equipe formada e não tem intenção de mandar ninguém embora. Do jeito que está, você pode comemorar em dezembro e demitir em janeiro. É incoerente”, defende.

 

A incerteza econômica faz com que os empresários apontem para diversas direções simultaneamente. Enquanto alguns optam por não festejar e outros planejam encontros modestos, muitas vezes técnicos, há quem não abra mão de um grande evento. A psicóloga especialista em recursos humanos e coach Alessandra Fonseca, da Consulta RH, empresa de coaching e treinamentos gerenciais localizada no Setor Bancário Sul, conta que, no fim de 2015, a procura por palestras motivacionais no escritório foi 10% maior do que no mesmo período de 2014. A procura por coaching também subiu, foram quase 25% a mais em relação ao ano passado. “Apesar da crise, boas empresas se organizaram e se anteciparam. As demais estão pedindo consultoria para apagar incêndios. Temos propostas para o fim do ano, principalmente, a primeira quinzena de dezembro”, afirma Alessandra.

Comemorar ou não: eis a questão

Luciana Machado, superintendente de Fator Humano da Transvip Brasil, transportadora de valores, defende que confraternizar é colocar um ponto de exclamação no ano que está sendo finalizado. “A segurança é uma necessidade básica, principalmente em tempos de crise. Dessa forma, a festa é uma excelente oportunidade para passar uma mensagem e propiciar aconchego. Todo mundo sabe que a economia do país está complicada, mas não deixam de ser eventos interessantes para a companhia”, explica.

“É um momento de o colaborador se sentir parte da empresa e de promover união, já que esse cenário de crise causa uma desmotivação natural nas pessoas”, observa Isabel Alves, 33, diretora de RH do grupo de tecnologia da informação GlobalWeb. As festas corporativas são um ritual — como o de pular sete ondinhas no réveillon. São formas de preparar a equipe para a chegada do ano-novo com a expectativa de que ele seja melhor do que o atual. Independentemente da escolha sobre o tipo ou o tamanho do evento, cuidados devem ser tomados para que o salto não seja maior do que as pernas ou o branco vire luto.

“Se a equipe tem o hábito de baixa comunicação entre si, é melhor não celebrar, porque o colaborador percebe que aquilo é só para inglês ver e que as coisas não vão mudar no dia a dia. Pode até agravar a situação”, afirma a psicóloga especialista em recursos humanos e coach Alessandra Fonseca. Nesses casos, orienta que, se a reunião for mantida, deve ser realista. De acordo com Alessandra, se a organização identificou oportunidades, e a tendência é de melhoria, vale a pena fazer festa. Se o cenário continua negativo e existe possibilidade de mais demissões, que seja feito um encontro técnico para apresentar resultados e desafios. Mesmo neste caso, se não houver uma cultura prévia de comunicação interna, a estratégia tende a não funcionar.

Não faça feio

 

Se a firma vai promover a comemoração, a consultora de imagem e estilo Iasmim Cunha orienta os funcionários a escolherem as peças para usar durante as celebrações.

 

Para as mulheres:

» No caso de saia, três dedos acima do joelho é o limite mínimo.

» O decote não pode ser exagerado. A referência é a linha do busto, e a roupa deve estar três centímetros acima dela.

» Maiores erros a evitar: lingerie à mostra ou barriga de fora.

 

Para os homens:

» Na camisa, apenas o primeiro botão pode estar desabotoado.

» Não use roupas muito largas.

» A meia não deve ser esportiva

» O cinto precisa combinar com o tom e o material dos sapatos.

 

Organize-se!

 

José Roberto Oliveira, diretor da CIN Capital Intelectual, empresa especializada em treinamento, organização e realização de eventos corporativos, acredita que as celebrações “são uma oportunidade de os colaboradores entenderem mais as decisões da empresa”. Ele alerta que o ideal é que a família do funcionário esteja envolvida. Companhias com orçamento enxuto podem contar com opções mais acessíveis, que dispensam o aluguel de um espaço. Ele cita três opções:

 

» Coffee break: os funcionários tomam lanche com salgadinhos, doces e refrigerantes e se distraem.

» Happy Hour: encontro em restaurante ou barzinho pode ser uma oportunidade barata de os colaboradores conhecerem os colegas de outras áreas. Nesse caso, Oliveira recomenda que o encontro não acabe muito tarde, pois muitos funcionários têm filhos pequenos.

» Palestras com sorteio: os próprios gestores podem tomar a palavra e ministrar o seminário. A dica é apostar em discursos leves, que não se estendam por muitas horas e que privilegiem histórias, curiosidades. O desfecho deve ser um sorteio de brindes.

 

Fonte: Admite-se