Você está aqui: Página Inicial / Serviços / Notícias / CFA / Estrela é estrela, capitão é capitão

CFA

Estrela é estrela, capitão é capitão

Comments
por imprensa 08/08/2016 14h48
O líder é quem observa de fora, tem obrigação de olhar pelas lentes do macro, orientar a recuar quando necessário, separa briga, dá exemplo

A Seleção Brasileira de futebol masculino caiu num poço tão profundo que está difícil prever quando tocará o chão. Quando pensamos ter ouvido o barulho de um impacto, era só o time levando mais umas pancadas nas laterais do fosso. Neste domingo (7), foi a vez da equipe do Iraque dar seus chutes nesse cachorro morto. Os motivos para a má fase que começou com a derrota para a Holanda nas quartas-de-final da Copa de 2010 e assumiu tons dramáticos na eliminação pela Alemanha nas semi-finais de 2014, por 7x1, são muitos. Aqui, gostaria de me ater a um aspecto em específico: liderança.

A administração central do futebol brasileiro tem muitos chefes, mas nenhuma liderança que inspire. Metade está sob a mira da Justiça ou das polícias nacionais e internacionais. A outra não tem poder para conduzir qualquer transformação no cenário que hoje se apresenta. Isso reflete nas escolhas técnicas e essas, por sua vez, definem a liderança que atuará dentro de campo. Até aqui, tudo muito errado.

Dunga foi um capitão fenomenal quando estava em campo. Como técnico, não conseguiu apresentar resultados e, mesmo assim, foi chamado de volta para consertar – com os mesmos erros de sempre – o que já vinha muito errado. Resultado: continuou tudo como estava. Agora, com Tite, há esperança. Mesmo crítico à cartolagem brasileira, pôs o compromisso com nosso futebol acima de suas divergências com os dirigentes. Afinal, uma hora a tropa sai. O país fica.

O primeiro desafio de Tite, a meu ver, será fazer uma distinção muito clara dos papeis de cada um em campo e fazer o Brasil reaprender a jogar como um time, deixando de lado as vaidades em nome do compromisso com o resultado. Depois, escolher um bom líder para atuar dentro de campo, consciente de que estrela é estrela, capitão é capitão.

 

Separando estrela e capitão

Há algum tempo Neymar tem sido o responsável pela braçadeira da Seleção Brasileira. Um erro que não pode permanecer. Como em qualquer grupo, qualquer organização, o líder pode não ser o executor mais fenomenal, pode não dominar com maestria os atributos técnicos da área que conduz, talvez até nem seja tão bom quanto a maioria dos funcionários sob sua batuta. Mas tem que ser excelente, impecável, na arte de conduzir, orientar, liderar.

O líder é quem observa de fora, tem obrigação de olhar pelas lentes do macro, orientar a recuar quando necessário, separa briga, dar exemplo. E, com os melhores em campo, consegue conduzi-los à concretização de um trabalho cujos resultados são imensamente superiores aos que seriam obtidos se cada um atuasse sozinho ou juntos, sem uma boa liderança.

Já a estrela também precisa existir. É aquele profissional que mata no peito e faz um gol de placa. Ter alguém assim em sua equipe desequilibra o jogo a seu favor. Não é o ideal, mas nem sempre ele vai ser o melhor exemplo para os outros. De toda forma, faz seu trabalho como ninguém mais. Eu gostaria de ter sempre um Neymar na minha agência. E lhe pagaria um salário de vice-presidente. Simplesmente pelo resultado que ele fosse capaz de entregar. Mas não lhe delegaria a tarefa de liderar alguma das minhas equipes apenas para justificar o salário.

A estrela chega atrasada, às vezes não aparece para treinar, vai pra balada quando a diretoria diz que é para ficar na concentração. Mas me diga com sinceridade: você abriria mão de Romário, em sua melhor fase, só por causa disso? Alguns líderes dirão que sim. Eu digo que não, desde que – sem treinar e de ressaca – ele continue fazendo gol e ajudando a trazer títulos para meu time.

Ontem, muita gente deve ter sentido vontade de apedrejar Neymar. Eu confesso que também não sou muito simpático a ele. Mas dessa vez a culpa não lhe cabe. Se, em vez de separar uma confusão, nosso capitão foi o primeiro a entrar na briga; se em meio à falta de estímulo ele não deu uma palavra de motivação; se na saída de campo não se dignou a dar uma palavra à imprensa; a culpa é de quem lhe atribuiu a responsabilidade de fazer tudo isso.

Fonte: Administradores.com