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Inércia e Improviso: os irmãos gêmeos do fracasso

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por imprensa 05/05/2016 14h17
“O improviso é quase sempre uma reação de desespero, para não dizer de pânico. Uma tentativa de fazer qualquer coisa a qualquer custo”.

Vamos às definições. No âmbito da física, inércia é a resistência que a matéria oferece a aceleração; no campo da química, é a propriedade que possui uma substância de não reagir em contato com a outra; na arena pessoal, é um estado de paralisação causado pela constante repetição de determinados hábitos prendendo-nos numa zona de conforto que nos impede de sair do lugar. Improviso, é uma ação ou reação estabanada, impulsiva, sem maturidade ou planejamento prévio, uma tentativa passageira de mudar alguma coisa somente na base do impulso.

Existem muitas razões pelas quais assumimos uma posição de inércia. Talvez a mais comum delas seja nossa própria inconsciência ou cegueira de que algo precisa ser feito. As vezes sob o manto da normalidade, escondem-se problemas a serem enfrentados. Nem sempre temos olhos para enxergálos, propiciando o surgimento do estado de inércia. Alia-se a isto, a falta de coragem, a preguiça para enfrentar os custos de uma determinada mudança, a ausência de sabedoria para entender o que fazer etc. Quando ficamos inertes, assistimos narcotizados a deterioração de algo que clama por nossa intervenção, mas falta-nos o poder de reação. Então um belo dia, queremos mudar tudo, dar uma virada, chutar o balde! Entra em cena o improviso, nos vendendo a ilusão de mudança, para logo depois a dura realidade nos dar conta de que nossa ação improvisada não passou de um espasmo. No dia seguinte tudo volta ao normal, ao ponto de inércia. Se estes dois irmãos siameses fazem fortes estragos em nossa vida pessoal, imagine no governo de uma cidade, estado ou país. Imaginemos mais: como a inércia e o improviso podem afetar duramente um negócio, seja ele de caráter público ou privado. Pessoas colocadas em posição de liderança sem habilidades para agir de maneira inteligente, estratégica, planejada, com foco no médio e longo prazo, vão se tornar os agentes da destruição produzida pela união de inércia e improviso. A inércia se vence com uma constante autovigilância para detectar até onde estamos nos acomodando a uma realidade que no presente possa não apresentar seus perigos, mas cobrará seu preço no futuro. Sua

derrota se decreta quando começamos a agir nas causas, gastando menos tempo apagando incêndios, e mais eliminando a fonte de combustão de onde nasce o fogo. Isto não se faz de uma hora para outra. Requer capacidade de reconhecer o problema, planejamento inteligente com antecedência de como resolvê-lo, foco persistente em sua execução, forte ação previdente na construção de um conjunto de ações que nem sempre dão frutos de imediato, mas constituem-se um invisível alicerce sobre o qual mais na frente começa-se a colher resultados duradouros. O improviso é quase sempre uma reação de desespero, para não dizer de pânico. Uma tentativa de fazer qualquer coisa a qualquer custo. Seguramente, invocando a sabedoria do dito popular, a emenda sairá pior do que o soneto. Pare, pense, analise, busque ajuda para entender, ouça, planeje e então aja. Somente assim sepultaremos na mesma lápide a inércia e o improviso, seu funesto irmão gêmeo. Assim, abre-se a possibilidade para um novo ciclo, no qual reais mudanças trazem profundas e longevas transformações!

Autor: Eduardo Pedreira

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Fonte: Revista RBA edição 111