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Mitos sobre carreira que levam a um ataque de nervos

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por imprensa 27/09/2013 09h54
O que pode estar tirando sua cabeça do lugar é a forma como você encara o próprio trabalho

 

Nem o chefe, nem a lista extensa de tarefas: o que realmente pode estar tirando sua cabeça do lugar é a maneira como você encara o próprio trabalho; entenda

 

A cabeça já não fica mais no lugar, o coração palpita descontinuado e o peso do mundo parece cair sobre seus ombros – literalmente. A vontade é de chorar ou espernear. Bem no meio do ambiente de trabalho.

 

Quem já chegou muito perto de um cenário como o descrito acima sabe o quanto é difícil controlar as emoções quando você está à beira de um ataque de nervos – mesmo durante o expediente.

 

Agora, por mais que você tenha, na ponta da língua, as situações que desencadearam os sintomas de stress, estes fatos podem ter sido apenas a gota d´água. As causas da falta de equilíbrio emocional no trabalho (e na vida) quase sempre são mais profundas e passam, em alguns casos, pela crença em alguns conceitos equivocados de carreira.

 

Consultamos alguns especialistas e eles elencaram quais os mitos sobre ascensão profissional que muita gente segue friamente, mas que podem levá-los a perda da sanidade mental, mesmo que momentaneamente.

 

Quando tiver um bom salário, serei feliz

 

O salário e a estabilidade financeira que o emprego oferece até podem ser as principais explicações que os brasileiros dão para justificar porque rumam todos os dias para o trabalho. Mas isso não é tudo e, às vezes, o preço de uma conta mais robusta no fim do mês pode ser muito alto.

 

“O dinheiro é uma das moedas para comprar a felicidade, mas não é a principal”, diz Eduardo Ferraz, autor do livro “Seja a pessoa certa no lugar certo” (Editora Gente). “O profissional se mata durante dois anos, vara finais de semana, ‘esguela’ para entregar resultados, quando recebe um aumento, ele se pergunta valeu a pena? Em alguns casos, a resposta é não”.

 

Todo esforço será devidamente recompensado

 

Pior: às vezes, o profissional cumpre a lista anterior de sacrifícios e, em troca, não recebe sequer um obrigado. E é aí que chegamos a outro mito de carreira que enlouquece: “A pessoa sai queimando asfalto certo de que a recompensa virá”, afirma André Caldeira, da Propósitos. “Só que a gasolina acaba no meio do caminho” sem que o horizonte mostre um esboço do prêmio para tanto trabalho.

 

A sensação de nadar, nadar e nunca chegar na praia desmotiva. E, às vezes, entristece e faz adoecer. Mas o fato é que, em um mercado competitivo, a recompensa raramente vem na mesma velocidade e medida da sua dedicação.

 

O ponto, então, é colocar na balança seus objetivos e o custo benefício de cada ação. Afinal, “todos têm um limitador que é a saúde”, diz Caldeira. Negligenciá-la em nome de algo ainda etéreo nem sempre é a melhor opção.

 

Você precisa ter controle de tudo

 

Nem sempre. “Cada vez mais estamos interconectados: seu trabalho depende do outro que, muitas vezes, pode estar do outro lado do mundo, não falar sua língua e estar em outro fuso horário”, descreve, com razão, André Caldeira.

 

Em outros termos, quase nunca você terá controle de cada detalhe da operação. E em alguns momentos, algumas pontas irão, sim, escapar de suas mãos.

 

Aprender a ser flexível, tolerante e a se adaptar rapidamente aos novos contextos é a combinação essencial para não pirar diante de tanta dependência.

 

Você deve fazer tudo sozinho

 

Definitivamente, não. A cada dia as empresas valorizam mais quem sabe trabalhar em equipe e investe em cooperação. Ou seja, a ideia de uma pessoa que constrói a própria trilha de sucesso profissional sozinha está desatualizada.

 

Hoje, sai na frente quem costura boas alianças e entende que “para que o resultado aconteça é preciso trabalhar com os outros”, como classifica Caldeira. Mais: ganha pontos quem busca aprender com os outros – mesmo quando o “outro” está em um patamar mais abaixo na hierarquia.

 

É das trocas que vem a inovação, a reinvenção corporativa e os consequentes bons números no final do trimestre. Na via oposta, do isolamento vem a estagnação e a mesmice.

 

Chegar a um cargo de chefia é (o único possível) sinal de sucesso

 

Há quem direcione toda a vida para a meta de subir no escalão um dia. Se isso não chega (ou demora a acontecer), a consequência óbvia é a desmotivação e o stress. E, se chega, mas a pessoas não estão devidamente prontas, o resultado é quase sempre o mesmo - aliado ao fracasso.

 

O problema é que muita gente se esquece de que, por serem poucos, cargos de chefia não são para todos. As carreiras em Y, mais técnicas, estão aí para provar. “Na prática, apenas 10% das pessoas têm estrutura, personalidade e bagagem para liderar”, afirma Eduardo Ferraz, autor do livro “Seja a pessoa certa no lugar certo” (Editora Gente).

 

Trabalhar em esquema 24/7 é a chave para ser promovido

 

Definitivamente, não. Pelo bem da sua sanidade (e até da produtividade), desligar-se do trabalho é fundamental. “A pessoa tem que dar o máximo de si nas 8 horas de trabalho”, afirma Ferraz. “É uma barbaridade colocar na cabeça que você tem que estar sempre disponível”.

 

Você nunca pode errar

 

O conceito pode até ser clichê, mas é verdadeiro e deveria ser lembrado por todos profissionais que piram tão logo cometem um deslize: Erros são inerentes à condição de ser humano. E o melhor: eles podem ser o passo que faltava para acessar a trilha certa.

 

Sim, isso mesmo. O empresário Henry Ford dizia que “o fracasso é somente a oportunidade de começar de novo, de forma mais inteligente”. Ele tinha razão. Quem aprendeu, na raça, onde estão os buracos em uma rua, sabe de cor como se desviar deles no futuro. Assim, funcionam os erros no trabalho: um aprendizado a cada fracasso. Um profissional melhor no fim disso tudo.

 

“Por outro lado, a tolerância excessiva aos erros também é um mito”, lembra Caldeira. “A questão é como o profissional se organiza para entender quais são suas limitações” e trabalha para superá-las. Afinal, não vale se acomodar e persistir no mesmo erro.

 

Emprego não é algo que traz prazer

 

É fato que todo trabalho tem seus pontos negativos. Mas isso não significa que tudo tem que ser ruim e que você necessariamente tem que odiar o que faz das 9h às 18h todos os dias. “O ideal é que 30% do trabalho sejam coisas chatas e 70%, o que você realmente gosta”, diz Ferraz. “O que mata e destrói as pessoas é fazer o contrário”.

  

Fonte: Exame