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Por que fazer hoje se eu posso deixar para amanhã?

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por imprensa 04/11/2016 14h43
Adiar atividades que precisam ser feitas é a principal característica dos procrastinadores, cujo lema é: empurrar com a barriga enquanto for possível.

Amanhã eu faço! Mais tarde vejo isso! De segunda, não passa! Assim que possível, vou dar uma olhada! Hoje não é um bom dia para isso! Semana que vem eu resolvo! Começo no início do mês! Deixa terminar o ano para me preparar e em janeiro eu começo!

Quantas vezes você já ouviu frases semelhantes. Ou, pior!! Quantas vezes você já disse essas frases para alguém ou para si próprio?

Se proferidas por alguém que apenas precisa de mais tempo ou que não tem condições no momento, não há problema algum. Sabe-se que no período estipulado, o prometido será cumprido.

Entretanto, se forem ditas por um procrastinador, tenha a certeza que nenhum dos prazos mencionados serão observados. 

Na sociedade que vivemos, constantemente somos envolvidos por uma infinidade de “coisas para fazer”, das absolutamente fundamentais às totalmente inúteis. Nosso cotidiano é assim.

Raramente nos deparamos em situações em que não há rigorosamente nada para realizar. Pode ser costurar as pontas das meias ou limpar as sujeiras dos seus filhos caninos ou felinos. Se você está vivo, há sempre alguma atividade a ser executada.

Por conta desta realidade, é necessário desenvolver a habilidade de priorizar com sabedoria. Nada errado quanto a isso. Entretanto, temos uma enorme dificuldade para definir o que é importante e o que é total perda de tempo. Muitas vezes, deixamos o importante para amanhã em prol do desnecessário.

A procrastinação é uma espécie de vírus, que enche nossas mentes de repteis asquerosos e nos leva a transferir para depois (ou para nunca, em alguns casos) a execução de tarefas importantes, sempre formulando desculpas esfarrapadas a fim de justificar nossa falta de disposição para pôr a mão na massa. O lema é: empurrar com a barriga enquanto for possível.

Você conhece alguém que decide começar uma dieta hoje mesmo? Duvido. Dieta sempre é iniciada na segunda-feira (e, muitas vezes, encerrada na terça). Por que fazer a faxina que a casa precisa há tempos justamente no Domingo, o dia criado por Deus, nosso Senhor, para descansar? Eu descanso hoje e na próxima semana eu pego a vassoura! E por aí vai.

Enquanto existem os acumuladores de objetos (latas, garrafas, jornais, embalagens, etc.), o procrastinador acumula pendências. Sem saber, ele perde uma energia preciosa, conforme vai adiando o que precisa ser feito. 

A maioria não tem muito claro em sua mente o que é importante, o que é prioridade e o que é urgência (para entender os conceitos, leia o artigo Qual a Diferença?).

Conforme as pendências vão surgindo, brotam desculpas para deixar para depois. Desde o tradicional estou cansado até o insólito hoje não é dia de fazer isso. Tudo é válido para justificar o adiamento. De preferência, para amanhã, que também significa nunca.

Agem como os fregueses da venda do Seu Joaquim, que querem pendurar a conta e se deparam, diariamente, com o alerta: Fiado Só Amanhã! O aviso vai estar lá todos os dias, mas o esse amanhã jamais chegará.

Quando as coisas começam a sair de controle, o procrastinador fica aborrecido e culpa quem estiver pela frente: o universo, a fase da lua, os terroristas árabes, Freud, o efeito estufa ou os esquilos ingleses. Em sua mente, tudo e todos (menos ele) são responsáveis pela situação que exige uma providência imediata. Movido pela raiva, urgência ou prazos inadiáveis, o sujeito é obrigado a agir.

As atividades são adiadas até quando não há mais opção, senão executá-las. Com certeza, você conhece alguém que sempre deixa tudo para a última hora. O exemplo clássico é do estudante com uma prova marcada daí a algumas semanas e só pega nos livros na véspera. E ainda tem a cara de pau de reclamar quando não é aprovado.

 

Como driblar a procrastinação?

Existem muitas maneiras práticas e eficientes de extirpar essa enfermidade de nossas vidas, mas como na maioria dos problemas causados por uma mente preguiçosa ou hiperativa, a pessoa precisa querer mudar. É a premissa básica.

Estando ciente da necessidade de mudança, pergunte a si mesmo – e responda com sinceridade - se a desculpa que você costuma dar para não iniciar ou concluir alguma coisa é realmente lógica ou é somente uma forma conveniente para justificar preguiça (muitas vezes, é só isso), medo ou pura falta de foco.

Comece imaginando como seria bom se livrar das pendências que estão acumuladas. Pode parecer simplista, mas se você lembrar das últimas vezes em que algo foi resolvido e de como foi bom sentir a deliciosa sensação de dever cumprido, o exercício ganha poder.

Pode haver uma certa dificuldade no início, por isso, é fundamental não se concentrar no trabalho que vai dar, mas na satisfação e alívio da conclusão. Isso faz uma bruta diferença. Lembre-se que o cérebro procura se afastar da dor e buscar o prazer.

Ao focar na sensação de bem-estar de uma pendência sanada, você não cria obstáculos que surgiriam se a atenção fosse direcionada às dificuldades (reais ou imaginárias). Concentre-se na recompensa e dê o passo inicial.

 

Comece devagar, mas comece!

Sua casa está perto de ser interditada pela vigilância sanitária, caso não passe por uma faxina urgente.  Não olhe para a bagunça generalizada e se mortifique pensando que é trabalho para horas, ou talvez dias. Em vez disso, concentre-se na fragmentação da atividade.

Comece limpando uma parte da casa. Que tal o quarto?  Esqueça que existem outros compartimentos. O que interessa no momento é o local onde você – normalmente – dorme. Inclua uma trilha sonora na atividade. Ouvir um estilo musical que o deixe energizado, ajuda a manter o ânimo e seguir em frente. Cante junto, de preferência.

Nota 1: recomendo não incluir canções tristes neste momento. Corre o risco de você ficar apenas na arrumação da cama para, em seguida, deitar nela e chorar.

Nota 2: o autor utiliza uma seleção de clássicos do rock dos anos 50 e 60, batizada de “música para faxina”.

O segredo não é pensar no todo, mas no específico. No quarto, a primeira meta é arrumar a cama! Quando finalizar, passe para o armário. Nada mais interessa, a não ser organizar as roupas. Toda sua atenção passa a estar no armário. E assim por diante.

Certa vez, precisei de um livro que estava em um local pouco acessível em minha empanturrada estante. Para chegar até ele, precisava retirar outros livros da frente. Conforme ia removendo os exemplares, aproveitava para dar uma limpadinha.

Como uma coisa puxa a outra, logo me vi limpando todas os compartimentos do móvel. Quando finalizei, olhei ao redor e vi que a estante de discos estava empoeirada demais. Já que estava no pique, resolvi continuar a jornada de limpeza. No fim do dia, havia realizado uma faxina geral, que se estendeu até à parte externa da casa. Fui dormir tarde da noite, exausto, mas feliz da vida.

A estratégia é válida para muitos outros fins. Se concentre em um ponto e comece devagar. Conforme vai avançando na realização, a vontade de continuar será fortalecida.

Enfrente a vontade de adiar, que vai se manifestar inevitavelmente. A luta vai valer a pena. Em pouco tempo, o hábito de não deixar nada para amanhã será cristalizado e você vai estar viciado na sensação de alívio e paz que uma pendência sanada traz para sua mente.

Chegando a esse ponto, sua vida vai seguir por caminhos que lhe levarão ao incontestável sucesso, seja pessoal ou profissional.

Fonte: Administradores.com