Você está aqui: Página Inicial / Serviços / Notícias / CFA / Reclamar, um comportamento comum e que atrapalha

CFA

Reclamar, um comportamento comum e que atrapalha

Comments
por imprensa 01/07/2016 09h11
O consultor João Cordeiro explica por que se queixar é prejudicial para os profissionais e para as empresas.

Por que as pessoas entram em uma espiral de desculpas que prejudica suas ações e as impede de evoluir? Foi para responder a essa pergunta que o consultor João Cordeiro escreveu Desculpability – Elimine de vez as Desculpas e Entregue Resultados Excepcionais (Évora). No livro, ele discute que, para muita gente, esse comportamento queixoso não é passageiro: há cada vez mais profissionais que transformam as desculpas em um modelo mental que se espalha nas empresas e na sociedade. Quando se soma a essa atitude a mania de culpar os outros pelos seus erros, as queixas rapidamente viram uma avalanche de lamento que afeta a produtividade, o moral e a performance das equipes. “Em uma época em que há tanta discussão sobre ética e corrupção no Brasil, esse comportamento pode ser visto com desconfiança”, afirma João, em um trecho da entrevista concedida à VOCÊ S/A. Veja como combater essa epidemia a seguir.

 

Em tempos de crise, percebemos uma tendência entre os profissionais de usar desculpas como subterfúgio para não cumprir metas ou entregar projetos. É um comportamento comum?

Sim, bastante. Isso acontece porque temos um instinto que nos obriga a nos defender constantemente. É algo com o qual nascemos. Nosso mecanismo de desculpas é como o hardware do computador: vem instalado de fábrica. Quando somos acuados, nossa tendência é nos defender. E a defesa, muitas vezes, vem na forma de desculpas. Quem ainda não é maduro o suficiente para lidar com uma cobrança ou com um feedback negativo abusa desse mecanismo. Mas quem reclama tem uma inteligência oculta; é preciso transformar essa atitude em algo positivo.

 

Em seu livro, você diz que muita gente não sabe encarar os problemas. Quais são as atitudes mais comuns das pessoas nesse sentido?

São, basicamente, seis atitudes em frente a situações complexas: não querer ver o problema; fingir que não vê o problema; apontar culpados externos; reclamar sobre a resolução do problema; esperar por uma solução milagrosa; e agir como vítima. Um dos mais comuns é fingir que o problema não existe, um comportamento forte que toma conta da mente das pessoas nas empresas. Pense em um exemplo: a área comercial está se matando para bater a meta em um ano difícil, mas o pessoal do backoffice não colabora e atrasa para processar os pedidos. O vendedor faz exatamente essa reclamação para o departamento financeiro. Mas o cara de finanças fecha os olhos para isso. Resultado: a companhia perde dinheiro e a área de vendas, que tem de estar sempre motivada, fica frustrada. Basta um funcionário com um modelo mental desses para contaminar todos os colegas.

 

Pior ainda quando esse é um estilo-padrão da liderança?

Muito pior – e não é tão incomum quanto se imagina. O que é péssimo, pois os líderes precisam ser espelhos para os liderados. Se um gestor age assim, a equipe vai agir do mesmo modo, e vira um efeito em cadeia.

 

Como mudar isso?

A liderança precisa querer mudar, em primeiro lugar. O gestor precisa se indignar com as desculpas e dar um basta nelas. E se indignar consigo mesmo também. Não adianta ficar reclamando do time e não fazer nada para melhorar a equipe. Para isso, é importante discutir as melhores práticas, mostrar os bons exemplos e dar bons exemplos. O líder tem que ser o evangelista desse processo até que ele provoque a mudança de fato. Às vezes, as pessoas tiveram uma educação complicada em termos de conduta e é preciso que a empresa supra essa lacuna e mostre aos funcionários qual é o modo correto de agir. Mas isso só é eficiente quando o exemplo vem de cima, quando a cultura corporativa gira em torno da eficiência e da ética.

Em uma das passagens do livro, há a afirmação de que as empresas pagam um alto preço por conta das desculpas. Quais são os efeitos desse comportamento nos negócios?

Em termos financeiros é difícil medir, mas não em termos morais. Afinal, um dos mais graves efeitos das desculpas é o dano moral entre os funcionários. Quem usa muitas desculpas acaba desacreditado por todos. Em uma época em que há tanta discussão sobre ética e corrupção no Brasil, esse comportamento pode ser visto com desconfiança, principalmente se for adotado pela liderança. Nesses casos, o escalão intermediário começa a desconfiar dos superiores e pensar, até, que eles estão sendo beneficiados ilegalmente de alguma maneira. Isso gera um prejuízo enorme na autoestima dos colaboradores e, consequentemente, na produtividade da empresa. As pessoas perdem a credibilidade na companhia.

Fonte: Revista Você S/A