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Sem vagas abertas, empresas continuam buscando talentos

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por imprensa 12/08/2015 15h02
Uma prática de head­hunters antes restrita a altos executivos — a de sondar profissionais, sem compromisso — começa a se estender a níveis mais baixos da hierarquia.

As previsões para o emprego neste ano permanecem ruins na maior parte do país. Mais de 80 000 vagas foram fechadas entre janeiro e abril, e 84,4% das indústrias de São Paulo não têm planos de contratar neste primeiro semestre, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Isso não significa que as empresas estejam paradas na pesquisa de candidatos. Uma prática de head­hunters antes restrita a altos executivos — a de sondar profissionais, sem compromisso — começa a se estender a níveis mais baixos da hierarquia. Trata-se de um flerte que pode virar namoro no futuro. “Deixo claro que não há uma vaga aberta”, afirma Gabriel Frank, diretor de RH do Groupon para a América Latina. “Digo à pessoa que ouvi bastante sobre seu trabalho e que isso motivou o encontro.”

A paquera profissional permite aos dois lados se conhecer e verificar se há alinhamento de interesses. Quando uma vaga surge, a chance de contratação daquele profissional aumenta. “Se gostamos da pessoa, ela fica em nosso radar pelos próximos seis a 18 meses”, diz Daniela Sicoli, gerente de recrutamento da Microsoft no Brasil. Confira o que fazer se receber um convite desses.

Troca de olhares

A primeira mensagem ou ligação pode ocorrer a qualquer momento do dia. A abordagem é semelhante àquela feita quando há um candidato em vista para uma vaga em aberto. “Em geral, marcamos esses encontros com profissionais de que já ouvimos falar, por indicação”, afirma Gabriel Frank, diretor de RH do Groupon para a América Latina. “Pessoas com alguma especialização ou funcionários de empresas semelhantes também são observados”, diz ele.

COMO AGIR

A postura de um profissional na ligação ou na resposta ao e-mail ou mensagem reflete quem ele é. “É nesse primeiro contato que tiramos as primeiras impressões sobre o profissional”, afirma Bernardo Cavour, headhunter da Flow Executive Finders. Seja educado e, se não puder falar no momento, retorne a ligação com um pedido de desculpas.

É importante perguntar onde o recrutador encontrou seu contato e por que gostaria de conversar. Não crie expectativas. Em princípio, o encontro é apenas para networking sem compromisso. Se realmente não estiver interessado na possibilidade de trocar de emprego, recuse o convite. Não vale a pena perder seu tempo e fazer o recrutador perder o dele.

O primeiro encontro

Como não há vaga em jogo, é comum que esses encontros ocorram fora das dependências da empresa, num café da manhã ou almoço. “É o cenário ideal para entender qual é o momento da pessoa e se ela está buscando um novo desafio”, afirma Gabriel. Fora do escritório, a tendência é que o possível candidato se solte mais, já que não existe a tensão de uma entrevista formal, dando ao profissional de RH a possibilidade de ler nas entrelinhas se realmente há afinidade entre aquele executivo e a empresa. “Mas esse primeiro encontro também poderá acontecer por vídeo se as agendas estiverem muito complicadas”, diz Daniela Sicoli, da Microsoft.

COMO AGIR

Como nos encontros amorosos, em entrevista de emprego não se fala mal do ex, seja ele o chefe ou a empresa. Aproveite para falar de seus projetos e do que você espera para sua carreira. No atual emprego, mantenha a discrição. “O chefe pode não gostar de saber que você está aberto a propostas”, diz Sofia Esteves, da consultoria de recursos humanos DMRH, de São Paulo.

Em um almoço ou café, se ofereça para pagar a conta ou, pelo menos, sua parte. “A boa educação diz que quem convidou deve pagar, por isso pago sempre”, afirma Ana Ramos, consultora da Hays, empresa de recrutamento de São Paulo. “Mas, ao se oferecer para pagar, o candidato mostra que o encontro também foi bom para ele.”

O dia seguinte

Depois do encontro, não existe um prazo para ligar de volta. Lembre-se: é um encontro sem compromisso. Vale um contato apenas se você prometeu enviar alguma informação extra. “Se eu achar que aquele profissional é interessante para algum projeto que um cliente esteja fazendo, vou falar dele para a companhia.

Não existe a necessidade de ficar ligando ou mandando e-mails para ser lembrado”, diz Ana, da Hays.

COMO AGIR

É difícil controlar a ansiedade, mas não ligue, não mande e-mail nem WhatsApp no dia seguinte perguntando por novidades. “Insistir em saber se houve alguma mudança no mercado da noite para o dia só vai deixar quem o procurou irritado”, diz André Freire, presidente da Odgers Berndtson, consultoria de recrutamento de altos executivos.

Não caia na tentação de descuidar de seu trabalho atual, achando que sua saída é uma questão de tempo. Lembre-se de que uma proposta para a nova empresa pode não se concretizar e você não deve trocar o certo pelo duvidoso.

Relacionamento sério

Com o mercado desaquecido, um segundo contato pode levar meses para acontecer. Mas, se o telefone toca, é sinal de que o profissional está realmente sendo sondado para uma vaga que abriu — ou que esteja para abrir. “Não há regra, mas o habitual é que esse tipo de contato não ultrapasse dois desses encontros”, diz Gabriel, do Groupon.

A explicação é que, se passa disso, as pessoas sondadas começam a sentir que estão perdendo tempo. Ainda assim, não considere que já está contratado. Aja como se estivesse em uma entrevista de emprego.

COMO AGIR

Cuidado com informações confidenciais sobre a empresa em que você trabalha ou o setor em que atua. “É normal querer impressionar durante uma entrevista, mas falar de assuntos sigilosos acende a luz vermelha para o profissional”, diz Bernardo, da Flow.

A explicação é simples: se falou dos assuntos secretos da empresa em que está agora, o que o impedirá de fazer o mesmo caso seja contratado em uma nova? Se após esse contato não for formalizada uma proposta, tire a história da cabeça. Como em um namoro, esteja preparado para partir para outra se necessário.

 

Fonte: VOCÊ S/A