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[ CFA ] Lições da fusão entre Azul e Trip


União das empresas aéreas é tema de palestra no XXIII ENBRA 

O segundo dia do XXIII Encontro Brasileiro de Administração (ENBRA) começou com a palestra “Gestão do Conhecimento e Inovação: como gerir o conhecimento para inovar e liberar a criatividade”. O tema foi abordado pelo diretor de RH e Serviços ao Cliente da Azul Linhas Aéreas, Johannes Castellano, e teve a mediação do presidente do Centro Industrial do Ceará, Adm. José Dias de Vasconcelos. 

Castellano iniciou sua apresentação falando um pouco da sua história de vida relembrando a morte do pai quando ainda era criança, passando pela fase em que cuidada da irmã com lesão cerebral até o dia em que ela faleceu, vinte dias depois do seu retorno da missão religiosa que participou. Para ele, a experiência vivida no seio familiar foi fundamental para a sua formação profissional. “Experiências humanas são muito bonitas. Levem isso em conta na vida de vocês”, pediu ao público. 

Em seguida, ele falou da fusão da Azul Linhas Aéreas com a Trip, realizada com o objetivo de tornarem-se a terceira maior companhia aérea e uma das mais competitivas do Brasil. Criada para dar nova vida ao negócio, a fusão é uma estratégia que, nem sempre, dá resultados. Para se ter ideia do risco, de acordo com levantamento realizado pela consultoria Deloitte Touche Tohmatsu, cerca de 50% das fusões e aquisições mundiais não foram bem-sucedidas e somente 17% criaram valor com a integração. 

Para não cometer erros que levam ao fracasso das uniões empresariais, a fusão da Azul com a Trip passou por várias fases: da euforia à incerteza, das longas reuniões para realinhamento das estratégias a preocupação da gestão de talentos. Eles criaram uma nova marca, definiram a nova sede da empresa, analisaram as melhores práticas, fizeram um organograma e buscaram aprovação dos órgãos reguladores. Além disso, fizeram uma pesquisa de cultura e clima organizacional que ajudou a elaborar uma nova missão, visão e novos valores. 

Segundo Johannes Castellano, a fusão entre a Azul e a Trip deixa muitas lições sobre gestão do conhecimento. “Para estimular a criatividade é preciso, antes de tudo, eliminar a cultura punitiva”, alertou o palestrante. Citando como exemplo os acidentes aéreos, ele explicou que há muito que aprender com os erros e, quando a gestão tende a punir quem errou, perde-se a oportunidade de evoluir. 

Ele destacou, ainda, que após a fusão foi necessário investir em outros veículos de comunicação que ajudaram a afastar boatos e a construir um clima de confiança entre os colaboradores. “Se você quer estimular a criatividade o melhor jeito é oferecer um ambiente propício a experimentar, que permita ser criativo”, afirmou. 

Por fim, Castellano estimulou o público com uma atividade reflexiva. Ao final, ele foi enfático: “Vocês fizeram o que eu fiz e não o que eu pedi. Liderança é isso, é o exemplo. Fora disso, é chefia e não é isso que queremos. Quer líderes fortes, busque pessoas com bons exemplos”, ensinou o palestrante. 

O acordo de fusão das duas empresas foi assinado em 25 de maio de 2012. Atualmente, a companhia possui uma frota de 134 aviões, mais de 9.700 funcionários, 860 voos diários, servindo 103 destinos.

Ana Graciele Gonçalves

Assessoria de Imprensa CFA