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[ CRA-DF ] Entrevista com o especialista em comércio exterior, Nicola Minervini

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por imprensa 29/07/2015 09h29

Palestrante do CONPRA 2015, Minervini fala sobre inovação, competitividade e métodos para as empresas que querem exportar

Autor do best-seller “O exportador”, Nicola Minervini é um dos grandes destaques do CONPRA 2015, o 11º Congresso Nacional de Profissionais de Administração promovido pelo Conselho Regional de Administração do Distrito Federal (CRA-DF). Referência internacional na área, Minervini dará aos participantes do evento um panorama sobre as principais ferramentas para exportar e também uma visão estratégica do Custo Brasil x Custo Empresa. “Acreditamos que a palestra será um momento de reflexão. O público presente poderá fazer uma autoavaliação sobre o nível de competitividade das próprias empresas e identificar quais medidas tomar para melhorar”, explica. 

O CONPRA 2015 será realizado nos dias 09 e 10 de setembro no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. As inscrições podem ser feitas pelo site: www.cradf.org.br/conpra2015, ou pelo telefone 4009-3328.

 

CRA-DF - Em sua opinião, qual a importância dos administradores participarem de um evento como o CONPRA?

Nicola Minervini - O CONPRA é um espaço de intercâmbio de ideias e atualização profissional, o que hoje é uma necessidade dentro do exercício da profissão. Os profissionais participantes irão certamente aprofundar seus conhecimentos e retornarão a seus ambientes de trabalho conhecedores dos atuais conceitos da Administração e com uma revisão dos modelos mentais necessários para aplicar em suas áreas de atuação.

A velocidade das mudanças, a famosa globalização e o desenvolvimento tecnológico transformam incessantemente o ambiente de trabalho, de forma que hoje não há dúvidas de que "estudo" e "formação" não são apenas uma etapa da vida, mas uma constante ao longo de toda a carreira. Assim, a atualização profissional deixou de ser uma opção para ser também uma condição e uma necessidade dentro do exercício da profissão. Isso se manifesta tanto como iniciativa de aperfeiçoamento do currículo dentro de um ambiente cada vez mais concorrido quanto por exigência natural do mercado, onde a todo instante se veem antigos meios e conceitos sendo aperfeiçoados ou superados.

  

CRA-DF - Minervini, quais são os temas abordados e como sua palestra poderá ser de utilidade para os participantes?

N.M. - O objetivo principal da palestra é sensibilizar sobre a importância da competitividade internacional para as empresas, e analisar os três elementos principais do sucesso na internacionalização: método, competitividade e inovação.

            Durante o evento, serão abordados:

•          Os novos desafios para as empresas, considerando a globalização.

•          Daremos um panorama sobre a realidade da competitividade brasileira.

•          Faremos um paralelo entre o “Custo Brasil”, que se fala há décadas, e o “Custo Empresa”, que é o maior responsável da competitividade.

•          Qual a percepção do Brasil no exterior. Um ponto fundamental, pois você pode ter um ótimo produto, mas se a imagem do país não é suficientemente conhecida, terá dificuldade em exportar.

•          Trataremos de inovação, desenho e tecnologia: as alavancas indispensáveis para estar no mercado, inclusive no mercado doméstico.

•          Outra grande pergunta: nós exportamos ou são eles que compram? Será que somos nós que gerenciamos a exportação, ou só administramos pedidos?

•          98% das empresas Brasileira são PME, pequenas e médias empresas, mas elas respondem por cerca de 10% na exportação. Como inserir as PMEs na internacionalização? Somente através de redes de empresas.

 

CRA-DF - Minervini, você reside na Itália. Sua mensagem condiz com a realidade brasileira?

N.M. - Bom, gostaria de ressaltar que morei e trabalhei no Brasil por 23 anos, de 1968 a 1993. Nos últimos 25 anos, mesmo morando na Itália, venho frequentemente ao Brasil, colaborando com instituições e empresas brasileiras. Coordeno missões de empresários italianos ao Brasil, e devido ao meu livro "O Exportador", lançado em 1991 e hoje na sexta edição, mantenho constante contato com os meios acadêmicos brasileiros. Portanto, minha mensagem não será de um estrangeiro que não conhece o Brasil, mas de alguém que vive há 45 anos a realidade Brasileira.

Falando de Itália, obviamente não podemos comparar as duas realidades, pois são dois planetas diferentes. Por exemplo, pessoalmente acho que tem sido um erro insistir na comparação entre a PME italiana e a PME brasileira e latino-americana em geral. Pior, tem se gastado muito dinheiro e recursos para tentar importar o modelo italiano para o Brasil.

Não irá funcionar, exceto em raras exceções. Não irá funcionar porque os contextos são completamente diferentes, como cultura empresarial, legislação, tipo de produtos, apoio institucional, valor agregado do produto, custos financeiros, logística, vocação de associatividade, valor das marcas, qualificação do pessoal, facilidade de acesso ao crédito, experiência no comércio exterior. Para uma PME italiana, é natural a exportação. Para a PME brasileira, a exportação muitas vezes é a “saída à crise” ou quando “o dólar está bom”!

Apesar dos muitos programas lançados no Brasil, é preciso trabalhar muito mais a atitude do empresário.

 

CRA-DF - A alta carga tributária no Brasil, a falta de infraestrutura e o famoso Custo Brasil sempre estão em pauta quando se fala da falta de competitividade brasileira. Você acredita que este aspecto trava as possibilidades de sermos um grande país exportador?  

N.M. - São mais de três décadas que se fala disso: Custo Brasil, gangorra do câmbio, carga tributária etc. Outro dia, encontrei um artigo meu, publicado em junho de 1990, no jornal O Estado de São Paulo, sobre qual seria o câmbio ideal para o Brasil. Desde então, venho insistindo que o câmbio ideal é o cambio de atitude.

Será que o tão badalado Custo Brasil, que certamente representa uma grande dificuldade, não tem sido uma trincheira atrás da qual escondemos nossa falta de agressividade e competividade? De que adianta reclamar do Custo Brasil, se primeiro nos não acertamos o Custo Empresa? É aí que entram os Administradores que devem preocupar-se mais com inovação, desenho tecnologia, qualificação de pessoal, compra de licença no exterior, investimento em marca, realização de alianças, comparação com outras realidades, localização, terceirização, redes de empresas, etc.

Claro que no Brasil fica difícil pensar trabalhar em redes, consórcios e alianças pois, como bom latinos, somos individualistas por natureza, desconfiados por vocação e "curto-prazistas" por visão. Mas hoje não temos mais o luxo de nos isolar.

Se não podemos mexer no Custo Brasil, que se fala há mais de 30 anos, que tal concentrar nosso foco no Custo Empresa. Esse será o tema principal da palestra.

 

CRA-DF - Em seu livro “O Exportador”, já na sexta edição, você fala do método PIME – Promoção, Informação, Mercado, Empresa. Poderia nos dar detalhes sobre esse método?

N.M. - O método PIME, que às vezes chamo de engenharia da exportação, tem o seu motivo de ser.

PIME está por Promoção, pois é fundamental que o mercado saiba da existência da sua empresa e principalmente dos benefícios que você oferece; Informação, a grande carência das empresas, no livro trago cerca de 500 links especializados em comércio exterior; Mercado tem que ser selecionado e monitorado; Empresa que, obviamente, tem que estar organizada para tudo isso.

  

CRA-DF - Quais conselhos você daria as empresas brasileiras para entrar e permanecer no mercado internacional?

N.M. - Antes de tudo, gostaria de esclarecer que exportação não é para todo mundo. No Brasil, joga-se muito dinheiro fora, tentado levar PMEs ao mercado externo, quando essas empresas sequer podem competir na esquina da própria fabrica. Só as empresas que reúnem os mínimos requisitos de competitividade podem pensar em internacionalização, esses requisitos podem ser medidos através de um método de check-up do qual falaremos na palestra.

A primeira medida é visitar a maior feira internacional do próprio setor para se medir a quanto anda sua competitividade. Segundo, se achar que tem condições de competir, realizar uma consultoria externa, do tipo check up. Por exemplo, solicitar ao centro internacional de negócios da própria federação de indústria, ao Sebrae ou ao MDIC (Apex, Secex etc).

Terceiro, identificar qual ou quais produtos são menos vulneráveis à concorrência internacional, o que o empreendedor já terá visto na visita à Feira. Quarto, pedir assistência para elaborar no mínimo um plano de trabalho e um orçamento. Chegando à conclusão que não se tem recursos suficientes, buscar a possibilidade de associar-se a um grupo de empresas complementares, mas sabemos que isso é complicado pela mentalidade latina.

 

Fonte: CRA-DF